terça-feira, 18 de setembro de 2012

Alegado “tribalismo” agita Forças Armadas de Defesa de Moçambique


…Os oficiais das zonas centro e norte dizem-se discriminados nas nomeações e promoções e bolsas a favor dos naturais da zona sul. Ministro da Defesa, Filipe Nyussi, diz que é especulação
Maputo (Canalmoz) – Está instalado um “ambiente turvo” no seio dos militares, sendo o tribalismo e regionalismo o pomo da questão. Aparentemente ultrapassadas as divergências políticas entre oficiais da Frelimo e da Renamo, agora se fala de favoritismo em função da região de origem nas promoções e atribuição de bolsas quer para o exterior assim como internamente.
Depois de em Setembro de 2011 o semanário Canal de Moçambique ter descrito o “ambiente turvo” que se viv(e)ia nas FADM, a agência portuguesa de notícias PNN cita também fontes militares que dizem que o processo de selecção para promoções e bolsas assim como a passagem à reserva obedece a critérios estranhos, violando o regulamento militar. Os naturais das zonas centro e norte são preteridos a favor dos da zona sul, questão que, de resto, levanta um “velho fantasma” dentro das Forças Armadas e na administração do Estado.
Para provar as suas acusações, os militares exemplificam com o caso da nomeação do ex-director nacional da política económica do Ministério da Defesa que é natural da zona centro e que tinha sido indicado adido militar na Rússia em finais de 2010. “Na mesma semana viu a sua nomeação alterada e no seu lugar foi indicado outro oficial da zona sul,” dizem.

O Chefe do Estado-maior General, Paulino Macaringue, é acusado de excessiva interferência nas nomeações, atribuição de patentes, formação e promoção de oficiais. Outro exemplo mencionado pelos militares é a passagem “forçada” à reserva do antigo comandante da Marinha, o Contra-almirante Patrício Yotamu, natural de Tete, que foi substituído por um comandante da infantaria natural do sul, o Contra-almirante Lázaro Menete.
“Todos os oficiais naturais do centro e norte são excluídos de todos os processos de promoção”, denunciam os militares.
Em reacção ao ambiente de tensão que se vive no seio das FADM, e sem explicar os contornos da substituição do antigo adido militar na Rússia e do ex-comandante da Marinha, o ministro da Defesa Filipe Nyussi disse que nas Forças Armadas não há espaço para tribalismo porque se segue a lei e tudo não passa de especulação. “Os militares que estão aqui, quando terminam os treinos na academia estudam e concorrem para serem promovidos. Das academias saem com patente de alferes e passado algum tempo vão à formação e ficam Tenentes e tudo depende do tempo estipulado pela Lei”.
Nyussi disse que as nomeações são feitas por regras próprias. Elucidou que as FADM têm três ramos, nomeadamente a força aérea, a marinha e o exército comandados por majores generais e “se existem outros majores generais devem esperar, porque tudo funciona dentro das normas estabelecidas legalmente”. “Não há motivos dentro das FADM para se levantar problemas de tribalismo. “Não vamos correr o risco de nomear um médico de saúde militar, um carpinteiro só porque temos que pôr um quadro de uma certa província para criar equilíbrio”, sentenciou Nyussi, em resposta ao episódio que está a fazer crescer vários comentários de cunho tribalista dentro das Forças Armadas. (Redacção)

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