quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Gaydamak, Mossad e o Poder de dos Santos


Desde a ascenção de Angola à independência, em 1975, tem sido prática comum dos serviços de segurança e de propaganda do MPLA apodar certos críticos do regime como agentes da CIA. Às vezes, para variar, o nome da Mossad, os serviços secretos israelitas, também vem à baila.
Em alguns casos, inocentes como a antiga estrela angolana de hóquei em patins, Carlos Fragata, chegaram a ser condenados à pena de morte por suposta ligação a serviços de inteligência estrangeiros.
No entanto, as revelações feitas recentemente em tribunal londrino, sobre o envolvimento de altas figuras da Mossad e do exército israelita em negócios em Angola, dão uma imagem diferente do regime do Presidente José Eduardo dos Santos. Maka Angola teve acesso às transcrições dos depoimentos em tribunal, dos testemunhos por escrito e documentação relevante.
A disputa entre o traficante de armas Arkady Gaydamak e o negociante de diamantes Lev Leviev sobre o acordo de cavalheiros que tinham, na criação da Ascorp e na partilha equitativa dos lucros entre si, desvendou a teia de interesses.
O juíz Vos, do Tribunal de Alta Instância de Londres, deu como provado, na sentença proferida a 29 de Junho passado, que a criação da empresa de compra de diamantes Ascorp, deveu-se a um acordo firmado entre representantes de José Eduardo dos Santos e Gaydamak, para a provisão de serviços de segurança.
Em tribunal, Gaydamak prestou o seguinte depoimento:
“A pedido do Presidente de Angola e em colaboração com o general Fernando Miala [então chefe dos Serviços de Inteligência Externa – SIE] e o chefe do departamento de diamantes [dos serviços de segurança], coronel Tito (eu tinha relações estreitas com os chefes dos serviços de inteligência desde 1993; eu preparei um plano para reduzir as receitas financeiras do grupo rebelde instalando melhores controlos no negócio de diamantes em Angola”.


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