terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O CORO DOS CAÍDOS NESTA JANGADA À DERIVA


Da nossa Torre de Pisa, o agora prédio CUCA, que oscilou devido às obras no mercado do Kinaxixi, onde a empresa que efectua trabalhos para mais um shoping, essas e outras coisas para novos-ricos, retira toneladas de terra que provocaram um desabamento e originou a fuga desesperada dos seus habitantes, mais de cento e sessenta apartamentos. Ocorre-me que noutras obras, de todas (?), houve, há, a intenção de ao retirar terra, os edifícios próximos ameaçarem desabar, e forçar o evacuar. Assim conseguem-se mais terrenos para outras construções dos excelentes amigos especuladores imobiliários. Mas Salazar fomentou a construção de moderníssimos bairros para pobres a pagar em vinte anos. Um exemplo: O bairro Olivais-Sul nos arredores de Lisboa, e as habitações lá continuam ainda impecáveis.
Uma saudação especial para os nossos Gbagbos, que derrotados nas eleições da Costa do Marfim, impedem infantilmente que os democratas Ouattara obtenham o que ganharam no voto democrático. Os impérios empresariais sempre no poder em nome de um qualquer movimento de libertação, são o maior erro que a África cometeu. É como uma cidade que passa a depender exclusivamente de geradores de energia eléctrica para sobreviver, é o estertor final da ditadura que a sustenta. Ó Costa do Marfim, ó África, ó Angola, sem mais caminhos porque todos os vossos destinos estão intransitáveis na divina tragédia. Não é possível que estejamos em 2010, até a nossa máquina do tempo corromperam e nela retrocederam.
O meu imortal amigo José Afonso recorda-me no seu Coro dos Caídos:
«Cantai bichos da treva e da aparência
Na absolvição por incontinência
Cantai cantai no pino do inferno
Em Janeiro ou em Maio é sempre cedo
Cantai cardumes da guerra e da agonia
Neste areal onde não nasce o dia.»
Que a força verde da vegetação esteja sempre contigo, e que o sol dos teus sonhos te contemple. Infelizmente os muitos dias maus arrastam os bons. Põe todos os dias dos teus sonhos em dia. Luta sempre, sobretudo evita que as ditaduras, outra vez democráticas, nos escureçam a mente. Um rosto feminino, vejo-o sempre muito atraente como a espuma do mar na vida a saltar. Para onde olho, quero que também olhes, vejo tudo, esplendor de verde.
As vendedoras do Roque Santeiro, transferidas para o Panguila, bazaram, aquilo não dá, e andam por aí a vender nas ruas, de andar nas ondas dos solos poeirentos, que somam mais doença das vias respiratórias sob o inclemente sol no filho às costas que mais parece uma torrada, e da intolerante perseguição seguida de arresto pelas feras humanas nas vestes de fiscais. Onde a miséria impera, vale-tudo para negócio. Isto não é uma independência, é um monstro feroz que nos devora a todo o momento. E quem defender os fracos dos fortes, é fora-da-lei?
Faltava ainda o tempo necessário para mais um dia de final trágico no largo da Sagrada Família. Um condutor circunda o largo e sinaliza para dois jovens numa motorizada que efectuam a habitual manobra perigosa, ultrapassar pela direita. Os jovens não gostaram, só compreendem o que lhes ensinaram em trinta e cinco anos, destruir. Saltam rápidos, e possessos de fúria apocalíptica partem o pára-brisas do estuporado condutor que compreensivelmente aterrorizado não esboçou o mínimo gesto de defesa, porque se arriscaria com toda a certeza a levar um ou mais tiros. Da muita assistência presencial ninguém ousou intervir. Mas existe ainda alguém com coragem para defender indefesos nas actuais circunstâncias?
E o pastor enfatizou na crente para tirar fotografias de toda a família para ele, quando viajar, levar para o Sinai, e que lá serão absolvidos de todos os pecados. Quando os corruptos e os bajuladores souberem disto, então é que vai ser. Mas o historiador Carlos Pacheco na VOA, defendeu a criação de um tribunal internacional contra a corrupção para julgar dirigentes corruptos “de onde quer que eles sejam”.
Cá na banda temos outra banda larga da energia eléctrica, da água… e da Internet
O mano Reginaldo Silva, agora apelidado pelo outro mano Salas, de Patrulheiro do Morro, denunciou no seu morrodamainga.blogspot.com que: «INTERNET: A nossa "banda larga" está cada vez mais estreita, mais lenta e mais intermitente... Disseram-me que o problema está na capacidade actual do único "back-bone" da Angolatelecom, que já não chega para as crescentes encomendas. Alô? É da Angolatelecom?»
A água já há muito flui como a Internet. Em Luanda, na Pomobel, ao Zé Pirão, a Teixeira Duarte SA, rebentou com a água e a energia eléctrica. Há meses que a água corre pela berma da rua e já apresenta o que serão futuras e brutas crateras. Os fiscais por aqui desandados limitam-se apenas a perseguir os lavadores de carros e as zungueiras. Mas a Teixeira Duarte SA não, porque são sócios do banco Millennium Angola e da Sonangol… todos intocáveis. Não são parte da solução, são parte da destruição.
Na energia eléctrica, o maior erro que a EDEL-Empresa de Distribuição de Electricidade de Luanda, comete, é o abandono da manutenção interna dos edifícios na coluna montante. Quando os fusíveis queimam, o que é frequente devido às normas selvagens de convivência instituídas pela actual conjuntura, qualquer curioso vai logo repará-los… coloca-lhes um monte de fios. As consequências disso são: desequilíbrios de fases que provocam incêndios, mortes, e o cambalacho de colocar empresas privadas que facturam exorbitantemente pelo serviço que deveria ser gratuito, prestado pela EDEL. Entretanto seguimos na desgraça de mais um mês de cortes… sabotagens, efectuadas pelo nosso “inimigo”. Dêem-me energia eléctrica e dominarei o vosso mundo.
Havendo meia dúzia de ricos, desses que todos sabemos como enriquecerem e enriquecem, e a população na digna extrema pobreza, isto é que é a verdadeira miséria. Eis as nossas multidões sem história, de mãos estendidas, ávidas na desesperança da fome. Dantes, para se libertar, o mwangole lutava contra o branco. Agora para se libertar, o mwangole luta contra o mwangole. Porque a igreja não rasteja como um réptil. Arrasta-se na vil condição desumana. A igreja perdeu os pastos e os repastos. A igreja move-se nos tentáculos da corrupção divina e terrena. E o Canalmoz/Canal de Moçambique, desmistifica os que juram todos os dias que são os nossos melhores amigos, quando na realidade são os nossos piores inimigos:
«Um dia pede-se transparência, outro dia assobia-se para o lado perante as mais aberrantes formas de corrupção nítida (...) É por demais sabido que já não se consegue provar nada no meio desta máfia que se instalou. Mas consegue-se perceber. É quanto basta (...) Os maiores suspeitos de corrupção em certos países europeus estão a aparecer em Moçambique em lugares de destaque em certas empresas. Porque fugirão eles para Moçambique? E por que razão até aparecem colados às mais altas figuras do Estado Moçambicano? Quando os corruptos estão debaixo do nariz serão precisos mais seminários para se acabar com eles? Porque se andará sempre a falar mal dos chineses se os moçambicanos não têm motivos fortes para concluírem que os chineses são mais corruptos que os outros que se querem fazer passar por santos? Onde difere a abordagem de certos doadores da dos chineses quando se trata de negócios?»
Angola vive no sabor da metralha, no caminho retrógrado de uma civilização que não existe, que se inventa. Angola está a ser retalhada como na conferência de Berlim. E serve muito bem para a venda a retalho. Com tal violência espoliadora e de ruínas habitacionais dos ataques militarizados, em Angola a guerra ainda não acabou. O inimigo principal é a população. A arte de bem governar, é investir massivamente no analfabetismo das populações, para depois facilmente demolir-lhes os casebres e espoliar-lhes as terras. Reduzi-las ao zero da pobreza inimaginável. Quando as populações se extinguirem, nascerá então um novo governo com um PIB exemplar, o maior de sempre na história da economia. E um governo que incita e usa a violência contra as populações, está isento de julgamento e condenação? Porra! Mas que ditadura ferocíssima. Que nova raça de cães ferozes são estes? Em que laboratórios os criaram, ou foi uma experiência mal sucedida?
Avante, comité de especialidade das demolições! Mas que aberração é narrar este horror! No campo de concentração de Auschwitz a água e a energia eléctrica não faltavam. Os prisioneiros não dormiam ao ar livre. Nos modernos campos de concentração de Angola nada disto existe.
Angola está a ser invadida por democratas. Angola carregou um navio gigante para navegar no mar da corrupção. Angola é um armazém de ratos. Angola parece ser o único país do mundo que mais investe na manutenção das redes de abastecimento de energia eléctrica, e mesmo assim está sempre a desligar a rede para trabalhos de manutenção. Todos os dias ouvimos a propaganda oficial garantir-nos que a nossa vida vai melhorar, os ratos batem as patas e saltam de contentes, outra nova vida espera-os. E depois do: «vamos fazer de Angola um canteiro de obras» nasceu mais um impropério: «vamos demolir, fazer de Angola um gigantesco lençol de ruínas»
Qual é a actividade principal das companhias petrolíferas? Poluição e consequente destruição dos mares e das terras. E depois da energia eléctrica demolida, a água… toda a Angola, de modos que nada mais reste, excepto os exércitos de ratazanas.
Eles querem lá saber se temos ou não energia eléctrica. Enquanto o petróleo lhes servir, o resto que se dane. É uma visão da ortodoxia angolana. Esta independência sem energia eléctrica, não tem qualquer utilidade. A não ser que seja para imitar o Robinson Crusoe. Ah! Assim está muito bom! Ou a solução de navegar num mar de idiotas nas demolições naufragados. Angola, apesar de ser o principal exportador de petróleo do Golfo da Guiné não tem energia eléctrica confiável. Pergunta-se: então para que lhe serve o petróleo?! Perguntem à hipocrisia ocidental, que ela sabe a resposta. Quando a principal ocupação de um governo é demolir habitações das populações… é um governo com muita actividade sísmica de grau devastador. Até a luz demoliram, enganaram-se, pensaram que eram casebres. Demolir casebres, é o primeiro mandamento da intolerância zero desta independência interminável.
Seguem pelo caminho mais fácil, a demolição dos casebres. Porque difícil é edificar energia eléctrica. Escravos engravatados escravizam escravos esfarrapados. Dantes chamaram-lhe luta de libertação, a luta está mais revolucionária. Alterou o nome para: luta da demolição de Angola. Luta da espoliação, dos desabrigados, dos abandonados e dos esfomeados. A luta de libertação exacerbou a escravidão das populações, finalmente livres… nos campos de concentração do comboio angolano da estalinista devastação. Mas quando é que Angola será independente? Como não há nenhuma organização da sociedade civil, ou partido político que organize uma manifestação, ou uma greve, a questão é da liderança que ainda é muito incipiente. Parece que os protagonistas apenas pretendem protagonismo, vaidade política para quererem dizer que também sabem atirar umas bocas. Nesta singular situação, resta-lhes, resumem-se à condição de escravos. É costume, um filme sem acção perder o interesse dos espectadores.
De manhã, bem cedo, os taxistas voam tal e qual uma esquadrilha de caças- bombardeiros. Alguns são derrubados e serpenteiam no solo. Os ocupantes raramente escapam ilesos de tais acrobacias. Se tudo o que se aprendeu ao longo da vida e do tempo não se conseguir aplicar na prática, então não valeu a pena, porque não se aprendeu nada. Depois de quase cinquenta anos com o mesmo poder, Angola ufana-se. O poder não se apercebe que a população extinguiu-se, e no seu lugar nasceu um exército de delinquentes desesperados. O poder não se sente corroer, rapidamente se autodestrói. E os escravos não se libertaram, outros gradeamentos esperam-nos. E como nos encanta Sílvio Rodriguez: matou-a, a cobra, e aparece outra maior.
Que luta pela liberdade foi esta se ainda não conseguimos o fundamental de qualquer sociedade: a liberdade de imprensa conforme demonstrado pela 1ª Cimeira multipartidária dos Partidos políticos na oposição: «Proibidos de publicitar em órgãos “ditos hostis”. É notória e deixa-nos a percepção quase indubitável que subtilmente, os bancos, empresas, empresários nacionais e estrangeiros, foram proibidos de deixar publicidade nas publicações privadas, sob pena de verem seus contratos rescindidos ou obstáculos erguidos nas suas actividades. Segundo constam, paira nesse mundo empresarial uma nebulosa de medo em fazer passar publicidade de suas empresas ou projectos, nos jornais que se identificam com a crítica politica, social e governamental.»

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