sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Libertados hoje seis jovens angolanos detidos após manifestação em Luanda


Lusa rtp.pt

Os seis jovens angolanos detidos após uma manifestação em Luanda, há uma semana, foram hoje libertados por "falta de provas" e queixam-se de "tratamento cruel" por parte da polícia, disse à Lusa um ativista.

Os jovens -- seis e não quatro, como antes tinha sido noticiado -- "foram todos postos em liberdade provisória", após audiência com um juiz, já que "não havia provas suficientes para avançar com a acusação", de acordo com Américo Vaz, contactado telefonicament pela Lusa a partir de Lisboa.
Os seis ativistas foram detidos na sequência de uma manifestação realizada no dia 22 - autorizada pelas autoridades de Luanda -- para exigir a libertação, ou pelo menos mais informação sobre dois ex-militares desaparecidos em maio passado.
Alves Kamulingue e Isaías Kassule foram raptados por desconhecidos nos dias 27 e 29 de maio, quanto tentavam organizar uma manifestação de ex-militares.
Segundo as autoridades angolanas, as investigações para apurar o paradeiro dos dois homens ainda não permitem saber o que de facto aconteceu.
Os seis jovens foram detidos pela polícia "na altura da dispersão" dos manifestantes e um deles chegou mesmo a "desmaiar com o efeito do gás que a polícia lançou", segundo conta Américo Vaz.
Libertados hoje, os seis detidos queixam-se de terem sido alvo de "excessos por parte da polícia", nomeadamente de falta de assistência médica -- um deles estava doente com paludismo e passou sete dias sem medicação, segundo Américo Vaz -- e de alimentação adequada.
"É aquele tratamento cruel a que as autoridades angolanas normalmente habituam as pessoas quando estão a reivindicar os seus direitos", descreve o ativista.
Os seis jovens ficaram detidos "quase sete dias" e passaram o Natal na prisão. "Vamos agora festejar, mais aliviados", disse Américo Vaz, acreditando que estava em curso uma "manobra" para fazer com que os seus companheiros "passassem também o fim de ano" na cadeia.
"Valeu a pressão que foi feita a nível da sociedade civil e advogados", realçou o ativista angolano.

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