terça-feira, 9 de março de 2010

Biografia de Manuel Alegre


Todos os membros da equipa “Azoreans” leram a obra Cão Como Nós. Foi o primeiro contacto com a escrita deste autor e pareceu-nos que Manuel Alegre é um escritor atento e sensível às circunstâncias, aos seres e pessoas que o rodeiam. Procurámos conhecer mais informação sobre este escritor contemporâneo e sobre a sua obra. Pela pesquisa efectuada, concluímos que ele é um defensor da Liberdade, um homem que acredita no Homem. Traçamos aqui o retrato de um homem que sempre se sentiu determinado a mudar o destino do seu país. Pela leitura do livro, apercebemo-nos de que ele é leal ao seu espírito e aos outros, pois “ Um dono nunca abandona o seu cão”.

http://caocomonos-azoreans.blogs.sapo.pt/533.html

Nascido em Águeda, em 12 de Maio de 1936, Manuel Alegre de Melo Duarte estudou Direito na Universidade de Coimbra, onde demonstrou ser um dinâmico dirigente estudantil. Desde jovem revelou o seu espírito interventivo, activo e enérgico em áreas variadas como a cultura, o desporto e a política. Fundou o CITAC- Centro de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra, foi também membro do TEUC- Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra. Jovem enérgico, desportista foi campeão nacional de natação e atleta internacional da Associação Académica de Coimbra. Apoiou a candidatura do General Humberto Delgado. Também foi dirigente do jornal A Briosa, redactor da revista Vértice e ainda colaborador de Via Latina.
Por ter um espírito crítico, por ser defensor da mudança e avesso à ditadura e à guerra colonial, foi chamado a prestar serviço militar pelo regime de Salazar, em 1961, sendo colocado nos Açores. Em 1962, é destacado para Angola, onde dirige uma tentativa pioneira de revolta militar. Foi preso pela PIDE em Luanda, em 1963, durante 6 meses. Na cadeia, conhece escritores angolanos como Luandino Vieira, António Jacinto e António Cardoso. De regresso a Portugal, é-lhe imposta residência fixa em Coimbra, acaba por passar à clandestinidade e vai para o exílio em 1964, residindo em Argel, durante dez anos. Aqui manteve-se leal ao seu espírito de liberdade e tornou-se dirigente da Frente Patriótica de Libertação Nacional. Aos microfones da emissora A Voz da Liberdade, a sua voz converte-se num símbolo de resistência e liberdade. Apesar das tentativas do regime ditatorial para calar a sua voz, os seus dois primeiros livros (apreendidos pela censura), Praça da Canção (1965) e O Canto e as Armas (1967), passam de mão em mão em cópias clandestinas, manuscritas ou dactilografadas. O seu desejo de liberdade, transmitido nos seus poemas encontra voz em dois cantores, Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira, que cantaram os mais emblemáticos poemas da luta pela liberdade. Manuel Alegre regressa a Portugal em 2 de Maio de 1974, alguns dias depois da Revolução de 25 de Abril.
Integra o Partido Socialista e com Mário Soares incentiva as grandes mobilizações populares que permitem a consolidação da democracia e a aprovação da Constituição de 1976, sendo o redactor do seu preâmbulo.
Político activo, foi deputado por Coimbra em todas as eleições desde 1975 até 2002, deu a sua contribuição no I Governo Constitucional de Mário Soares e, candidatou-se por Lisboa a partir de 2005. Desde 1974, foi um dirigente emblemático do PS, já exerceu o cargo de Vice-Presidente da Assembleia da República e por diversas vezes foi membro do Conselho de Estado (de 1996 e 2002 e de novo em 2005). Foi candidato a Secretário-geral do PS em 2004.
É sócio da Classe de Letras da Academia das Ciências, eleito em Março de 2005.
Sobre a sua obra poética, Eduardo Lourenço afirmou que “sugere espontaneamente aos ouvidos (...) a forma, entre todas arquétipa, da viagem, do viajante ou, talvez melhor, peregrinante”. É de destacar alguns títulos da sua vasta obra: O livro Senhora das Tempestades, que inclui o poema com o mesmo nome, e que Vítor Manuel Aguiar e Silva considerou “uma das mais belas odes escritas na língua portuguesa”; os romances Alma e A Terceira Rosa, este último premiado por duas vezes. De acordo com uma estudiosa da sua obra, Paola Mildonian, Manuel Alegre “canta a dor e o amor da história com acentos universais, com uma linguagem que (...) recupera em cada sílaba os quase três milénios da poesia ocidental”. No Livro do Português Errante, Manuel Alegre, segundo Paula Morão, emociona e desassossega: “depõe nas nossas mãos frágeis as palavras, rosto do mundo, faz de nós portugueses errantes e deixa-nos o dom maior (...) — os seus poemas”. O seu livro, Cão Como Nós, vai na 15ª edição.

Refira-se que a obra de Manuel Alegre tem sido estudada em Universidades de diversos países, nomeadamente, Bélgica, Itália, França, Brasil.

O trabalho de Manuel Alegre tem sido homenageado com variadas condecorações: A Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, Comenda da Ordem de Isabel, a Católica e Medalha de Mérito do Conselho da Europa, de que é Membro Honorário; Medalha da Cidade de Veneza, por ocasião do Convénio Internacional “La Porta d’Oriente — Viaggi e Poesia” (Novembro de 1999).

O reconhecimento das suas obras foi-lhe demonstrado através dos seguintes Prémios literários:
1998 - Prémio de Literatura Infantil António Botto, pelo livro As Naus de Verde Pinho
1998 - Prémio da Crítica Literária atribuído pela Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos Literários, pelo livro Senhora das Tempestades
1998 - Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, patrocinado pelos CTT, pelo livro Senhora das Tempestades
1999 - Prémio Pessoa, patrocinado pelo jornal Expresso e importante referência no panorama cultural português, pelo conjunto da Obra Poética, editada em 1999
1999 - Prémio Fernando Namora, patrocinado pela Sociedade Estoril-Sol, pelo livro A Terceira Rosa

ALEGRE, Manuel. Biografia de Manuel Alegre. Acedido em: 9, Fevereiro, 2006. Manuel Alegre: http://www.manuelalegre.com/index.php?area=1500

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.files.wordpress.com/2008/11/manuel-alegre-dom-alegrote.jpg

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