sábado, 13 de abril de 2013

Editorial. Governo de Guebuza em armas reconhece que perdeu a legitimidade


Maputo (Canalmoz) – Imagine-se uma das últimas terças-feiras. Seis horas da manhã. Três viaturas blindadas atravessam a cidade de Maputo, da zona alta para a baixa, em direcção ao gabinete de primeiro-ministro, na Avenida 10 de Novembro. Não é simples missão de patrulha policial. Não faria sentido viaturas bélicas percorrerem artérias de uma cidade em período de paz se o Governo que se vai reunir em mais uma sessão do Conselho de Ministros não estivesse com medo do povo. Só um governo com medo do Povo mobiliza arsenais de guerra para garantir a sua protecção. E numa democracia que o seja de facto um governo com medo do povo é um governo que reconhece a sua ilegitimidade.
A 1200 quilómetros de Maputo, na segunda mais importante cidade do País, Beira, agentes da Força de Protecção de Altas Individualidades (FPAI) empunham armas de guerra e granadas às portas de mansões-residências dos membros do Governo provincial de Sofala, nomeadamente directores provinciais. 
O segurança reforçada por todos os lados mostra que o Governo está realmente apavorado com o que o Povo possa fazer.
É assim um pouco por todo o país. Armas de guerra garantem neste momento a “estabilidade” e “segurança” dos governantes.
Quando um grupo de cidadãos se junta em qualquer esquina para no exercício do seu direito constitucional se reunir, nem que sejam inofensivos estudantes universitários, fortes batelões da sarcástica Força de Intervenção Rápida (FIR) são enviados para o local para reprimir o Povo.
São armas e polícia que neste momento governam. E se ninguém acalmar os ânimos um dia destes poderemos acordar com o País a arder.
É preciso semear Paz para colher Paz.
Com este comportamento do Governo da dupla Guebuza-Vaquina ninguém mais respeita este Governo que de mentira em mentira está perdendo a legitimidade aos olhos do Povo e agora para se poder fazer ouvir só com armas. 
Quando a voz dos governantes já não convence ao povo querem fazer as armas falar. Esquecem-se de que quem está a empunhar essas armas também é do Povo e um dia destes também se pode revoltar.
De discurso em discurso o chefe do Estado e do Governo perde tempo a mandar recados para os “marginais, tagarelas, apóstolos de desgraça, distraídos”. Pensará que assim distrai o povo. Engana-se!!!! 
Os moçambicanos estão atentos e conseguem perceber que deste dirigente nada mais se espera senão o fim do seu mandato.
Fazia um grande favor à nação se abandonasse já o poder para que possamos viver em Paz, mas insiste.
Das promessas de “combater a pobreza”, acabar com a burocracia e “espírito de deixa-andar”, “combater a criminalidade e a corrupção”, hoje se vê pelas estatísticas internas e externas o país nas mais humilhantes posições no concerto das nações.
O ambiente de negócios avaliado internamente pela KPMG revela-se mau, apontando-se a corrupção na função pública como a causa principal. 
O Inquérito aos Agregados Familiares (IOF) conduzido internamente pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE) revela que há cada vez mais pobres no País. 
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) avaliado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) deixa Moçambique na terceira pior posição do mundo.
Os moçambicanos, aqueles não comprometidos com o regime, sabem e sentem na pele o quão desastrosa está a ser e tem sido a governação de Armando Guebuza e do seu elenco.
Os trabalhadores todos dias são transportados em carrinhas de carga de casa para o serviço e vice-versa. Sentem que esta governação os prejudicou.
Milhares de funcionários públicos que nunca progrediram na carreira e nunca viram seus salários a aumentar com alguma significância sentem que esta governação não tem soluções para as suas vidas.
Os jovens que concluem o ensino secundário e não têm universidade pública para estudar e os que concluem a universidade e não têm onde trabalhar porque as politicas públicas não permitem a geração de empregojá perceberam que com este governo não terão futuro.
Os postos de trabalho na função pública são para sobrinhos e cunhados de quem governa.
Quem não consegue cumprir com o programa que se propôs a implementar para ajudar os moçambicanos a resolver seus problemas; quem prometeu revolução verde e hoje se vê que população continua a viver em bolsas de fome; quem prometeu acabar com a pobreza e hoje vê que há mais moçambicanos pobres do que antes da tal promessa, só pode sentir que não tem legitimidade para governar. 
Sente que perdeu a confiança dos moçambicanos, só pode estar a não querer largar o poder porque pretende continuar a administrar negócios pessoais sentado no trono do Estado. 
Como o povo não se distrai com as tácticas que vê Guebuza a usar, só pode sair à rua para exigir seus direitos. E quem já não quer ouvir o Povo só pode estar a manda seus os seus “capangas” morder o Povo. 
Um Governo que passa a usar o dinheiro do povo (impostos) para comprar armas para violentar o próprio povo deve demitir-se antes que o País se incendeie.
É assim quando não se tem legitimidade, governa-se com as armas. E quem manda a Policia e o Exército para a rua só pode esperar o pior.
A única esperança que resta agora aos moçambicanos é que o chefe Estado faça o grande favor de abandonar o poder sem deixar o País a arder.
O desespero é de tal ordem que até já se começou a prender jornalistas como aconteceu ontem num ensaio em que os comandantes de bom senso acabaram por libertar o nosso colega Matias Guente, depois de cerca de quatro horas de cárcere forçado.
Apelamos que o bom senso se imponha para que a Paz se volte a instalar em todo o País! (Canalmoz)
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