segunda-feira, 29 de abril de 2013

Mais Um Garimpeiro Morto a Tiro no Cuango




Guardas da empresa privada de segurança Bicuar mataram ontem, 20 de Abril, por volta das 08h00, o garimpeiro Kazumiri Wanga, conhecido como Apolinário Kavukila, com um tiro no ombro, na zona de Kambamba.
O garimpeiro, de 30 anos de idade, residente em Cafunfo, efectuava o garimpo artesanal com meios de “casabula” (mergulho), numa ilhota do Rio Cuango, quando foi baleado.
Amado Nduji, de 33 anos, também garimpeiro, acompanhava Apolinário Kavukila no momento em que foram surpreendidos pelo grupo de guardas da Bicuar. De acordo com o seu testemunho ao Maka Angola, os referidos guardas haviam estabelecido um acordo com os garimpeiros, para a prospecção e exploração artesanal de diamantes naquela zona, em troca de percentagem do valor das pedras eventualmente encontradas. Mas, na manhã de ontem, os guardas surpreenderam os garimpeiros com um forte tiroteio, tendo um deles atingido mortalmente Apolinário Kavukila.
A Bicuar substituiu, desde Março de 2012, uma outra empresa – Teleservice – na prestação de serviços de segurança à Sociedade Mineira do Cuango, que explora diamantes na região.
O garimpeiro baleado foi socorrido por companheiros, que o levaram para a vila de Cafunfo, e acabou por falecer no hospital central daquela localidade.
Familiares e companheiros da vítima fizeram participação da ocorrência junto da Polícia Nacional em Cafunfo, que deteve sete guardas da Bicuar. As autoridades policiais, segundo informações recolhidas no local, soltaram cinco dos suspeitos após interrogatório preliminar.
Os homicídios e actos de tortura contra garimpeiros fazem parte da rotina das empresas privadas de segurança que operam na região diamantífera das Lundas. Em Setembro de 2012, um outro garimpeiro havia sido baleado mortalmente por guardas da Bicuar.
As autoridades têm sido as principais responsáveis pela onda de violência sistemática contra garimpeiros, devido à promiscuidade que se verifica nas estruturas accionistas, tanto das empresas mineiras como das empresas privadas de segurança. A família presidencial e os generais têm sido os principais beneficiários privados da indústria diamantífera em Angola.
Recentemente, Maka Angola denunciou o envolvimento do presidente do Conselho de Administração da Endiama, António Carlos Sumbula, no negócio directo de compra de diamantes dos garimpeiros através da sua empresa Mi-Diamond. A Procuradoria-Geral da República, órgão que vela pela legalidade, continua a ignorar esses crimes públicos e a facilitar a impunidade dos dirigentes.






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