sábado, 13 de abril de 2013

Odebrecht, veículo do “soft power” brasileiro em Angola


Um grupo de construção apoiado por vultuosas linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social brasileiro. Presidido por um homem que tem uma relação “tu cá tu lá” com José Eduardo dos Santos. Mais do que um grande investidor em Angola, a Odebrecht é hoje um veículo do “soft power” brasileiro em Angola, afirma a investigadora Raquel Patrício.
Durante o colóquio “Vizinhos Atlânticos – Angola e Brasil”, organizado pelo Observatório Político, que decorreu em Lisboa no dia 5 de Abril, Raquel Patrício defendeu que os grandes grupos económicos brasileiros têm sido atores no processo de aproximação da Angola. Maior empregador privado em Angola, a Odebrecht vai para além da construção, atuando já na energia, diamantes, supermercados ou aeroportos.
“A Odebrecht tem uma ligação de proximidade com Angola significativa.” Para Raquel Patrício, o nepotismo, favoritismo e a corrupção são contornadas por uma relação de grande proximidade. Este “tu cá tu lá”, revela-se nas visitas anuais a Angola de Emílio Odebrecht, presidente do Conselho de Administração da empresa para reunir directamente com Eduardo dos Santos. “Na política africana, e em Angola, especificamente, a relação é mais próxima”, disse.
Segundo um estudo recente, das linhas de financiamento 6,4 mil milhões reais abertas desde 2006 pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) para empresas brasileiras com destino a Angola, 49% couberam à Odebrecht. A segunda colocada, Andrade Gutierrez, ficou com menos da metade do que sua concorrente.
“A Odebrecht e a Vale (empresa de mineração com forte presença em Moçambique) têm uma postura diferente das companhias chinesas”, afirmou a académica. Estes grupos brasileiros apostam no desenvolvimento de Angola, na capacitação dos angolanos que trabalham para si, bem como na tecnologia que usam para as suas actividades.
Além de ter responsável pela existência do supermercado “NossoSuper” em todas as províncias, a Odebrecht também ergueu o Belas Shopping, o ex-líbris comercial da capital, Luanda.
Angola apresenta-se como um óptimo ponto estratégico para o investimento brasileiro, pelo seu franco crescimento económico. As empresas de construção civil em Angola têm vindo a ganhar espaço no panorama nacional. A construção de infra-estruturas tem merecido a dedicação do governo num país que carece ainda de reconstrução.
A aposta brasileira numa política africana é mais próxima, directa e “quente”, no sentido afectivo. Os projectos de ajuda ao desenvolvimento nos sectores agrícola, dos recursos enewe da construção civil, são exemplo da aposta.
“A Comunidade de Países de Língua Portuguesa é uma iniciativa muito brasileira, o que não de vê tanto na realidade porque o Brasil não mostra para a Comunidade a sua supremacia, tem um poder brando”, afirmou Raquel Patrício.
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