sexta-feira, 13 de março de 2009

O Cavaleiro do Rei (9). Novela


Enfiando doses cavalares de futebol e jornais desportivos, os portugueses retornam à antiga alienação da população angolana. Enquanto a Igreja Paulista retoma, reforça o seu hino… impõem uma cópia da população portuguesa, outro Portugal.


O chefe adjunto da guarda, para evitar corte marcial pede reconfirmação.
- Damos cabo deles todos?
- Não! Prendam-nos!
- Chefe não se esqueça, quando saímos é para matar. Os homens frustram-se, depois à noite embebedam-se, e nascem arruaças.
- Ok! Grande surra neles, mas não matem ninguém… por enquanto.

Devido à intervenção do adjunto a ordem final distorceu-se. O chefe recoloca o comboio no lugar.
- Em nome do rei! Ao ataque, e em força meus bravos!!!

Foi uma memorável sessão parlamentar de pancadaria. Até deu para alguns praticantes de artes marciais experimentarem alguns golpes. O chefe executa um escape.
- Parem com essa merda porra!!! Prendam-nos e depois aterrem-nos nas masmorras. Tragam-me o Divad.
O preso é imediatamente presente conforme ordenado.
- Ó paladino Divad das mãos livres. Desta escapas, da próxima ficas com as mãos presas.
- É só isso que fazem. Apenas queremos a república no reino. Acabar com a miséria das populações.
- Belas palavras, disso não passam. Maldito conspirador republicano. Se não fosse o rei, acabaria com as tuas mãos livres. Guardas, ponham-no no seu lugar!
- Chefe, está aqui um da rádio dos republicanos. Não lhe cocei porque acredito no Evangelho. Posso chamar um colega das Testemunhas de Jeová. Gostam-se muito…
… Não. Levem-no com os outros. Não quero problemas com o Cardeal. Ele e a rainha são muito amigos.

Quando a princesa auscultou finalmente a prisão de muitos republicanos, correu com o coração na mão para a rainha.
- Minha mãe suplico-te. Ajuda-me a tirar esses homens da prisão. Porquê, só os que lutam pela liberdade são presos, e os ditadores não!?
- Se o teu pai sabe que simpatizas com os republicanos, rua-nos do palácio. E como é… como vai ser… quem os tira das masmorras?

A princesa enche-se de ar malicioso, circunflui-se, especa e disparata vitoriosa.
- O Epok!
- Que desbunda minha filha! Saco sem fundo e delambido como é, a primeira coisa que fará é despejá-lo nos ouvidos do teu papá.
- Se lhe deres uns toques não.
- Como assim! O que é que insinuas?
- Eu sei…
… Sabes o quê?
- Numa noite sonâmbula, entrevi-os na câmara.
- E o que é que filmaste?
- Duas paisagens encantadoras.
- Está bem, falo com ele mas, apenas esta vez. E deixa de me filmares, senão mando-te pôr a ferros, ou exilar-te.
- Mãe desculpa, estavas tão bonita… tão graciosa…
… Andas muito pornográfica, vou boicotar-te a leitura de obscenidades.
- Não me faças isso, gosto muito de ti.
- Está bem, castramos por aqui.

Foto: Angola em fotos

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