sexta-feira, 20 de julho de 2012

Delírios de um Governador


A campanha eleitoral e a luta pela manutenção dos cargos atingiu o seu ponto febril no passado fim de semana, na província do Kwanza-Norte. Por ocasião da passagem do comboio, de Luanda a Malanje, o governador local, Henrique André Júnior, desfez-se em adulações a José Eduardo dos Santos, a quem alguns “históricos” do partido chamam mesmo de “guia imortal adjunto”.
Na sua calorosa alocução, o governador começou por dizer que “contra tudo e contra todos, Sua Excelência o Presidente da República conseguiu colocar o comboio sobre os carris”. Henrique André Júnior não poderia ter sido mais revelador, pois ninguém sabia que a “superior orientação” do “camarada Presidente” para reabilitar a linha férrea merecera oposição interna dos seus próprios camaradas.
Com os serviços secretos e a eficiente máquina de propaganda dos órgãos de comunicação social do Estado ao serviço do “camarada Presidente”, é estranho, para o público, que os “opositores” ao projecto de reabilitação da linha de Caminho de Ferro de Luanda (CFL) jamais tivessem sido “desmascarados” nas páginas do boletim oficial do governo de JES, o diário Jornal de Angola.
Estranho também é a falta de menção, nos discursos do próprio JES, aos supostos “contra-revolucionários” denunciados por Henrique Júnior. JES chegou a insurgir-se contra as redes sociais, por estas disseminarem informações sobre a sua alegada fortuna, tendo mesmo manifestado profundo desprezo e insensibilidade para com o sofrimento de milhões de angolanos ao afirmar que, quando nasceu, “já havia pobreza em Angola” e que, por isso, não se sentia culpado pela indigência da maioria dos angolanos.
A bajulação do governador acabou por ser embaraçosa para o “candidato natural” do MPLA e para o próprio partido no poder. Entre os mais esclarecidos militantes do MPLA, Henrique Júnior foi motivo de compaixão pelas asneiras proferidas e transmitidas, com destaque, no principal noticiário da RNA, entre as quais se distingue a sua referência à majestosa obra presidencial, apenas “comparada à francesa Torre Eiffel”.


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