sexta-feira, 20 de julho de 2012

Insegurança alimentar . Sociedade civil responsabiliza governos da CPLP pela desnutrição e morte de crianças pela fome


Em Países de Língua Portuguesa (CPLP), 28 milhões de pessoas são desnutridas, sendo Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste os países com as taxas de desnutrição mais elevadas, sobretudo em crianças com idades que variam de 0 a 5 anos, sendo estas as principais vítimas mortais

Maputo (Canalmoz) – Membros de diversas organizações não-governamentais, em representação da sociedade civil da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), responsabilizam os governos devido ao elevado índice de desnutrição instalado nos países lusófonos, cujas principais consequências são óbitos na sua maioria crianças. Angola e Moçambique são os países com maior índice de insegurança alimentar.
Estes pronunciamentos foram feitos pelos participantes durante a realização recentemente da 1ª reunião do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional da CPLP, presidida por Moçambique.  “Não basta aprovar leis e estratégias sobre combate à insegurança alimentar, mas é urgente ir ao cerne do problema com vista a produzir-se  comida suficiente para alimentar  a sociedade no geral”, disse Saquina Mucavele, diretora da organização moçambicana Mulher Género e Desenvolvimento (MuGeDe).
Por sua vez, o economista Firmino Mucavel disse que a principal dificuldade no combate à insegurança alimentar é a dificuldade de acesso aos alimentos, sobretudo por parte das pessoas vulneráveis, devido ao elevado preço de produtos alimentares. Mucavel defende que os governos da CPLP têm a responsabilidade de criar condições para reduzir os preços dos produtos alimentares, sobretudo os básicos, de modo a que até as pessoas sem muitas condições financeiras possam ter acesso aos produtos.

Moçambique e Angola são os piores

De acordo com os dados apresentados na quarta-feira última pelo secretariado da CPLP, referente aos Países de Língua Portuguesa (CPLP), 28 milhões de pessoas são desnutridas, sendo Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste os países com as taxas de desnutrição mais elevadas, sobretudo em crianças com idades que variam de 0 a 5 anos, sendo estas as principais vítimas mortais. Preocupada com esta situação a sociedade civil recomenda a necessidade de desenvolvimento de programas de educação nutricional direcionados às mulheres-mães de modo a que estas saibam identificar quais alimentos têm vitaminas suficientes para tornar resistente o sistema imunológico das crianças.
Para Edna Possolo, chefe do Departamento de Nutrição do Ministério da Saúde de Moçambique, o maior desafio é os governos conseguirem alocar recursos suficientes para ajudar as mulheres-mães a terem meios próprios de auto sustento.
Para o caso de Moçambique, Edna Possolo reconheceu que a desnutrição crónica constitui uma grande ameaça para a saúde pública. Referiu que o Ministério da Saúde está a desenvolver acções com vista a reduzir a desnutrição crónica em menores de 5 anos, dos actuais 44% para 30%, em 2015, e até 20%, em 2020.
Refira-se que da 1ª reunião do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional da CPLP, presidida por Moçambique, foi produzida uma declaração final com recomendações e esse documento será submetido ao Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional da CPLP para a sua posterior apreciação durante a conferência dos chefes de Estado e de Governos desta comunidade que hoje se realiza. (António Frades)

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