segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Deportações em Luanda. Quase fui espancada por dois destes indivíduos, não fosse a pronta intervenção da população Ana Margoso




Estavam 38ºc este sábado quando “aterramos” nos arredores do bairro Mayombe aonde, segundo Rosa Janota, administradora de Cacuaco estavam a realojar os antigos moradores do Mayombe, cujas casas foram demolidas pelas autoridades municipais há coisa de uma semana. O cenário é desolador. Dezenas de crianças estão impedidas de estudar, tudo porque as suas famílias foram desalojadas e colocadas num campo descoberto, por um período provisório, uma vez que o terreno é propriedade privada de “alguém”No local o número de mulheres grávidas é grande, muitas vieram falar connosco porque algumas delas, e é visível, estão prestes a dar a luz e não sabem aonde colocarem os seus filhos. Na zona o aparato policial, e militar é grande, inclusive elementos a civil que estão no local, claramente para controlar a população e intimidar. Quase fui espancada por dois destes indivíduos, não fosse a pronta intervenção da população, que a par com a senhora Administradora de Cacuaco, são os únicos que desmentiram a morte, durante os despejos, de duas crianças, e um fiscal, cujas famílias, segundo a população, também desapareceu misteriosamente. Não é certo que um governo que se preze, e que ama os angolanos, como disse a senhora Rosa Janota, atira o seu povo para um terreno baldio sem as mínimas condições de habitabilidade, sem o mínimo para viver condignamente. Se vos sobra alguma humanidade olhem pelo menos para aquelas crianças que nem um arbusto tem para se esconder do rigoroso sol de Luanda.
Ana Margoso. Facebook


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