quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Viúva de Agostinho Neto julgada por difamação


O julgamento da viúva do antigo Presidente angolano Agostinho Neto, Maria Eugénia Neto, acusada de difamação, deve começar na quarta-feira em Lisboa, disse à Lusa a autora da queixa-crime, Dalila Cabrita Mateus.
Co-autora do livro "Purga em Angola", Dalila Mateus apresentou uma queixa-crime por difamação contra a viúva de Agostinho Neto por declarações que esta fez à revista "Única" do jornal Expresso em 2008.
Contactada pela Lusa por telefone, Maria Eugénia Silva Neto, que está em Luanda, afirmou que não vai deslocar-se a Lisboa para o julgamento, por motivos de saúde.
O livro em causa (de que é também autor Álvaro Mateus) foi publicado em 2007 e refere-se a acontecimentos ocorridos no dia 27 de maio de 1977 e nos anos que se seguiram à contestação interna liderada por Nito Alves contra o rumo que o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) então seguia.
"Agostinho Neto, então Presidente da República, deu o tiro de partida na corrida do terror (...). Fê-lo ao declarar perante as câmaras de televisão, que não iriam perder tempo com julgamentos", escreveu Dalila Mateus numa carta aberta de novembro de 2011, quando o julgamento da viúva de Agostinho Neto foi adiado.
Segundo a autora, com base em vários testemunhos, tudo leva a crer que 30 mil pessoas "foram sumariamente fuziladas" na altura.
Na entrevista ao Expresso, em janeiro de 2008, a viúva de Agostinho Neto disse, referindo-se à autora do livro, "essa senhora é desonesta e mentirosa".
A investigadora, professora de História, decidiu apresentar queixa, alegando sentir-se difamada e ter visto o seu trabalho posto em causa.
Dalila Mateus disse à Lusa que o julgamento foi adiado em 2011 pelo facto de as testemunhas arroladas pela arguida para serem ouvidas em Angola por carta rogatória não o terem sido até essa data.
O ex-presidente da República Ramalho Eanes é uma das testemunhas da defesa, devendo prestar depoimento por escrito.
Entre as testemunhas arroladas por Dalila Mateus estão os jornalistas Cândida Pinto e José Pedro Castanheira, que entrevistaram a viúva de Agostinho Neto para o Expresso, o historiador Fernando Rosas e dois presos do 27 de maio.
As testemunhas devem ser ouvidas ao longo de várias sessões, até março, no Tribunal Criminal de Lisboa.
Maria Eugénia Neto recusou-se a fazer quaisquer comentários sobre o processo e Dalila Mateus afirmou que confia na justiça portuguesa "e na independência do poder judicial".
LUSA
ANGOLA24HORAS.COM
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