quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Luanda. “O que aconteceu no Cacuaco é uma selvajaria. Aquilo nem no tempo colonial;”




Lembro-me claramente o dia em 1982 em que conheci o Dr Elias Isaac, que agora lidera a Open Society em Angola.

Sousa Jamba. Facebook

Éramos crianças no campo dos refugiados de Meheba na Zambia, e o então Mano Elias Isaac, que estava a estudar na prestigiosa Mindolo Theological Institute no Kitwe, Zambia vei falar conosco acompanhado pelo o falecido Dr Whitney Darylmple. Ele disse a nos jovens que mesmo se estivéssemos no estrangeiro tínhamos o dever de evitar os maus vícios (como beber e nao respeitar os mais velhos) porque Angola estava a espera da nossa contribuição. Esta noite, cá em Washington, fiquei muito comovido quando ouvi o Dr Isaac a dizer isto no programa “Angola Fala Só” sobre as pessoas que foram deslocadas no Cacuaco: “Jõao Santarita, eu estive lá e o que eu vivi e presenciei naqueles momentos deu me a entender que nunca tinha sentido a crueldade e maldade das pessoas. Eu vi crianças debaixo da chuva porque o tecto de chapas improvisado pelo o pai despareceu por causa da ventania. Eu vi um homem a ser cortejado por uma chapa que esvoaçava. Eu vi tanta dor que eu conseguia acreditar que num pais independente como Angola, democrático, ainda existem dirigentes que conseguem tratar os seus concidadãos desta maneira. A própria administradora do município do Cacuacuo deve ser levada á barra do tribunal. Eu acredito que o senhor Presidente dos Santos não tem recebido informações corretas. Como ser humano eu acredito que ele tem coração, tem sentimentos. Eu não acredito que ele é que esta a dar aquelas ordens. O que aconteceu no Cacuaco é uma selvageria. Aquilo nem no tempo colonial; nem no tempo do Mobutu; nem no tempo do Bokassa, do Idi Amin coisas idênticas aconteceram.!”
Fotos: Ermelinda Freitas

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