sábado, 19 de maio de 2012

Discurso do Chefe de Estado angolano no almoço oferecido a Presidente da Argentina



Luanda - Discurso pronunciado por Sua Excelência José Eduardo dos Santos, Presidente da República de Angola, no almoço oferecido a Sua Excelência Cristina Fernandez Kirchner, Presidente da República Argentina

Luanda, 18 de Maio de 2012

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SUA EXCELÊNCIA CRISTINA FERNANDEZ KIRCHNER, PRESIDENTE DA REPÚBLICA ARGENTINA,
 
SENHORES MEMBROS DAS DELEGAÇÕES ANGOLANA E ARGENTINA,
 
ILUSTRES CONVIDADOS,
 
MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES,
 
Tivemos hoje o privilégio de discutir com Sua Excelência Cristina Kirchner importantes questões de interesse para os nossos dois povos e países.
 
Reitero aqui o prazer que sentimos por ter Vossa Excelência entre nós, e espero que esta sua visita contribua para um maior conhecimento da nossa realidade e para o reforço da amizade entre os nossos dois povos.

Nós somos dois povos e países só aparentemente distantes, porque no fundo, na actual era da globalização, somos países vizinhos nas duas margens do Atlântico Sul.
 
Também não estamos assim tão distantes no plano da língua e da cultura, porque os nossos dois países sofreram durante séculos a influência dos dois países da Península Ibérica, Portugal e Espanha, mantendo com eles, uma vez resgatada a nossa identidade própria e a nossa liberdade, laços de estima e de cooperação.
 
Nestes últimos anos os estudiosos têm vindo gradualmente a constatar que são maiores do que poderíamos pensar as afinidades culturais entre Angola e a Argentina, uma vez que importantes núcleos das populações africanas levadas à força para o continente latino-americano se uniram às forças locais, criando novos espaços de resistência, de liberdade e de solidariedade activa.

São conhecidos os relatos históricos da participação de elementos da população africana na luta comum contra a escravatura e a colonização ibérica e pela independência de vários países latino-americanos, assim como da sua contribuição para o caldo cultural de onde emana a máxima expressão musical argentina, o tango, hoje já reconhecido como 'património da Humanidade'.
 
É salutar constatar que existe neste momento, por parte de sectores intelectuais e culturais da Argentina, um movimento no sentido de aprofundar os estudos sobre o contributo africano para a história do país, resgatando assim uma memória que corria o risco de ficar diluída e esquecida entre a de tantas outras influências idas do exterior.
 
A Dra. Ana Paula dos Santos, minha esposa, representou Angola no I Congresso de Afro-Descendentes, realizado em Julho de 2007, em Buenos Aires, e pôde constatar como são profundos os elos que nos aproximam e que estão patentes não apenas na dança e na música, mas também ao nível da língua e da própria gastronomia.
 
Nós queremos igualmente que essa investigação actual contribua para reforçar as nossas respectivas identidades culturais e para criar uma base de entendimento maior entre os nossos povos, pois a posição dos nossos países nesta importante área geoestratégica do Atlântico Sul, envolvendo os nossos respectivos vizinhos, pode ser uma mais-valia na instauração e definição de uma comunidade que defenda os interesses que nos são comuns.
 
Os Acordos de Cooperação no Domínio da Educação e da Cultura, que pretendemos assinar, constituirão certamente bases sólidas para que esse conhecimento recíproco possa ser enriquecido com novos dados e informações.
 
Não me quero alongar sobre todas as outras áreas de cooperação sobre as quais já nos ocupámos hoje e prefiro aqui acentuar o lado afectivo e fraternal que a visita de Vossa Excelência representa para a amizade entre os nossos dois povos.

Agradeço, que os presentes me acompanhem num brinde à longa vida e saúde de Sua Excelência Cristina Fernandez Kirchner.
 
Muito Obrigado!

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