sábado, 19 de maio de 2012

Na Ponta de Ouro. Proprietário da “Praia de Ouro Sul” acusado de racismo

  

Maputo (Canalmoz) - O proprietário da estância turística “Praia de Ouro Sul”,  na Ponta de Ouro, província de Maputo, no sul de Moçambique, de nacionalidade sul-africana, Eugene Rautenbach,  é acusado pelos seus trabalhadores de prática de actos de racismos e violação constante da legislação laboral moçambicana. Contactado pelo Canalmoz, Eugene Rautenbach não quis comentar o assunto.
Os trabalhadores desta estância turística de cinco estrelas, acusam o seu proprietário de, “para além de ser arrogante estar constantemente a faltar ao respeito, através de insultos, usa a expressão de discriminação racial como “preto” para tratar ou chamar os seus empregados”.
Esta situação está a criar um total desconforto e revolta no seio dos empregados, daí a razão de terem procurado a nossa Reportagem para denunciar estes actos que, segundo eles, já foram reportados às autoridades governamentais locais bem como à inspecção-geral do Turismo,  mas segundo eles “nada foi feito”.
Este é um caso que de acordo com os trabalhadores que nos procuraram “tem vindo a registar-se há já bastante tempo mas nada muda apesar das várias reuniões que tivemos com ele juntamente com as autoridades governamentais locais na tentativa de repudiarmos o tratamento menos recomendado a que somos sujeitos pela parte do nosso patrão”, afirmou o porta-voz do grupo dos 40 trabalhadores da “Praia de Ouro Sul”, que pediu para que o citássemos em anonimato por temer represálias.
“Aqui quando alguém reclama, senão é mandado embora sem justa causa, é encarcerado nas celas da Polícia local”, afirmam os trabalhadores que nos procuraram em representação dos demais colegas..

Três meses sem salário

Para além de insultos, falta de respeito e discriminação racial que são sujeitos os 40 trabalhadores da “Praia de Ouro Sul”, dizem que estão há três meses sem salário.
“Estamos há três meses sem salário e quando perguntamos o nosso patrão ele não diz nada”.
“O pior é que quando reclamamos os nossos salários ele diz que podem ir queixar onde quiserem que ninguém fará algo contra mim”.
“Nós já comunicámos ao Governo local, uma vez que não é a primeira nem a terceira vez que isso acontece. Ele faz isso porque é «intocável», e pior ainda age em conivência com o nosso chefe dos recursos humanos”, denuncia um dos trabalhadores para depois acrescentar: “Nós temos família e filhos que estudam, que precisam de comer e comprar material. Sem salário, como é que vamos sobreviver?”, questiona um outro trabalhador.
“Pedimos a quem de direito para resolver esta situação porque não é permitido que alguém trabalhe sem receber. Ainda somos sujeitos a trabalhar mais de oito horas de tempo por dia”.
Os trabalhadores, sobretudo os da área de limpeza de esgotos, casas de banho e cozinha, dizem que trabalham sem equipamento de protecção como luvas e máscaras, o que constitui um verdadeiro atentado à sua saúde.
A falta de indicação de preços dos serviços e produtos que são vendidos naquela instância turística em moeda nacional, ou seja, em metical, bem como o uso de panfletos publicitários escritos apenas em inglês são outras questões perpetradas pelo proprietário da “Praia de Ouro Sul” e proibidas pela legislação moçambicana, que foram denunciadas à nossa Reportagem pelos trabalhadores daquela estância turística. (Raimundo Moiane)
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