sábado, 19 de maio de 2012

Rabelais de Novo no Governo. Por Carlos Duarte



Exonerado há sensivelmente três anos do cargo de ministro da Comunicação Social, Manuel Reabelais deve regressar em grande ao governo, já nos próximos dias, segundo apurou o Maka Angola junto do Palácio da Colina de São José. O radialista desportivo deverá ocupar-se de uma nova pasta, com a categoria de Secretário de Estado para a Presidência da República, uma espécie de “faz tudo” de José Eduardo dos Santos.


A 10 de Maio passado, o Chefe de Estado informou os seus mais próximos colaboradores, durante uma reunião em que estiveram, entre outros, o ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa”, o director do Gabinete de Acção Psicológica e Informação da Casa Militar, Aldemiro Vaz da Conceição, o secretário para os Assuntos de Comunicação Institucional e Imprensa do Presidente da República, José Mena Abrantes, e a ministra da Comunicação Social, Carolina Cerqueira.
Na reunião, Dos Santos classificou, mais uma vez, o desempenho do Ministério da Comunicação Social como “pouco dinâmico”. O Presidente, asseverou que, durante o consulado de Manuel Rabelais, havia muito maior acção e a presidência da República recebia relatórios periódicos sobre o estado dos mídias estatais. Destacou que estes prestavam maior cobertura às actividades do governo e manifestavam maior engajamento com as políticas do seu regime.
Carolina Cerqueira manifestou-se, em privado, humilhada com o segundo cartão “amarelo” que o Presidente lhe mostrou. A primeira vez aconteceu na sessão ordinária do Comité Central do MPLA, realizada em Fevereiro último e em cujo discurso de abertura José Eduardo dos Santos disse claramente que a comunicação social não estava a fazer cobertura, de forma satisfatória, às realizações do governo.
O gabinete, a ser dirigido por Manuel Rabelais, já possui  instalações, no antigo edifício dos SME, bem próximo do Palácio Presidencial, onde o acesso a José Eduardo dos Santos será mais directo, como pretende o próprio Presidente da República.
O primeiro sinal de ascensão de Manuel Rabelais foi dado recentemente  quando José Eduardo dos Santos, nas vestes de presidente do MPLA, investiu-o no cargo de chefe da comissão de comunicação institucional da campanha do MPLA. O grupo de trabalho liderado pelo antigo ministro da Comunicação Social é integrado ainda por Aldemiro Vaz da Conceição, José Mena Abrantes e o director nacional de Informação do MCS, José Luís de Matos.
No entanto, o revés de Carolina Cerqueira foi minorado com a atribuição de um segundo cargo, como chefe da Comissão de Informação e Propaganda do MPLA que integra também o seu vice Manuel Miguel de Carvalho “Wadijimbi” e a administradora da ANGOP para a Informação, Luísa Damião.
A decisão de José Eduardo dos Santos cria sérios problemas ao Ministério da Comunicação Social, que tem colaborado com a Procuradoria-Geral da República e o Tribunal de Contas para o apuramento de uma série de casos de suspeita de corrupção envolvendo Manuel Rabelais. A ser confirmado no cargo, o suspeito poderá beneficiar de imunidades e a protecção presidencial contra a justiça.
A Rádio Nacional, cuja direcção Rabelais chegou a acumular com o cargo de ministro, também poderá conhecer momentos de tensão com o ressurgimento de Rabelais no executivo. O ministério realizou várias mudanças no direcção da emissora nacional, o que foi considerado como uma “caça às bruxas” aos seguidores do ex-ministro.
De forma reiteirada, o Presidente da República tem atropelado a Lei de Imprensa ao exigir que os órgãos de comunicação social do Estado ajam como veículos exclusivos de propaganda do seu regime.
A lei exige que os mídia estatais informem os cidadãos “com verdade, independência, objectividade e isenção, sobre todos os acontecimentos nacionais e internacionais, assegurando o direito dos cidadãos à informação correcta e imparcial”. A lei estabelece ainda que os referidos orgãos devem “assegurar a livre expressão da opinião pública e da sociedade civil” e, entre outros, “promover a boa governação e a administração correcta da coisa pública”. Essas exigências legais não têm sido observadas pelos mídia estatais, cujos níveis de propaganda e de manipulação dos factos ultrapassam os do período Marxista-Leninista.

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