segunda-feira, 16 de julho de 2012

Manipulação de taxas de juros é mais gasolina para a fogueira da crise financeira internacional

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Canal de Opinião por Noé Nhantumbo
 Rolam cabeças no Barclays mas ainda muita tinta correrá…

Beira (Canalmoz) – Aquelas engenharias financeiras que fizeram implodir algumas empresas muito importantes nos Estados Unidos da América, estão a revelar-se experiências aprendidas e aplicadas por alguns gestores bancários de topo, noutras partes do mundo.
A notícia de primeira página é agora a demissão do CEO do Barclays em Londres. Tudo por causa da manipulação de taxas de juros. O chamado Libor que todos utilizam para realizar os seus negócios (aqui em Moçambique também) estava afinal inquinado, verdadeiramente manipulado por alguns dos maiores bancos do mundo.
Na esteira disso já há avultadas multas pagas. As investigações prosseguem para se apurar a dimensão real deste escândalo que a ser verdade, como tudo indica que sim, vai provocar mais danos sérios nas finanças internacionais.
Sendo a banca a estrutura a que todos recorrem para realizar as suas transacções, importar, exportar, pagar, poupanças, tudo isto acaba por ter reflexos na vida de milhões de seres que nada podem para evitar estas coisas.
Pelo que tudo dá a entender e a perceber a banca internacional nomeadamente dez dos maiores bancos do mundo estão envolvidos num processo de manipulação de taxas de juros. O Libor de Londres teria sido manipulado. Já há multas e a investigação estende-se por três continentes.
Diamond, norte-americano, que até há dias era CEO do Barclays demitiu-se com efeitos imediatos. Seu banco teve que pagar as autoridades americanas e britânicas 450 milhões de dólares de multas.
O caso envolve os maiores bancos do mundo e as investigações sobre este jogo sujo não deverão terminar tão já.
É uma crise de confiança que vem juntar-se às muitas outras que se têm vindo a suceder em catadupa.
O sistema financeiro internacional entregue a auto-regulação de banqueiros “ferozes”, ávidos de bónus por desempenhos que raramente tiveram, está aprofundando a dimensão da crise que as finanças internacionais vivem.
Da Espanha chega a notícia de que um dos responsáveis máximos do Bankia foi indiciado juntamente com todo o Conselho de Administração de falsificação de informações.
Os resultados que os bancos registaram em 2011 trazem consigo preocupações e não são unicamente os accionistas que se preocupam. Os governos têm boas razões para mandar investigar o que andou a ser feito pelos gestores e seus traders. Será que o irão fazer? – É pergunta que só o tempo nos permitirá conhecer.
Quando se diz que há uma crise de confiança nos mercados é algo bem real que se repercute na vida das pessoas.
Gente que se supunha séria e acima de tudo e de todos, com o poder que o dinheiro lhes conferia afinal andava a cozinhar as contas e a manipular as taxas de juros. Quanto dinheiro não foi ilegitimamente ganho e perdido só porque alguns gestores se mancomunaram e se puseram a “cozinhar os números através da fervura das taxas de juro?
Quantos milhões em bónus não receberam gestores de muitas instituições financeiras com peso mundial?
Quantos milhões de pessoas não terão visto suas finanças afectadas por causa de jogos sujos de gestores de bancos em que se depositava confiança?
E o que andam a fazer os tais governos estáveis e certas oposições que não se cansam de duvidar que noutros países possa haver alternativas? De que alternativas procuram se entre as suas próprias portas acontecem estas coisas?
Bancos que foram resgatados com dinheiros públicos, milhões de dólares que foram colocados à disposição de gestores perigosos acabaram não servindo para os fins que se alegavam.
A situação é grave e as soluções estão-se tornando cada vez mais complicadas.
Nunca foi tão importante colocar regulamentação forte e rigorosa na arena das finanças internacionais, mas os governos não agem a tempo. Porque será? A corrupção anda a distraí-los?
Os bancos estão assim a perder credibilidade e quem tem o seu guardado nessas instituições está sujeito a grandes surpresas. O risco é cada vez maior.
O tempo para a tomada de decisões fortes, vinculativas, corajosas é hoje e não amanhã.
As investigações ou o que se noticia delas afirmam que os bancos fizeram falsas declarações de suas contas e isso envolve um número considerável de gestores. A Espanha traz alguma luz sobre o que realmente terá acontecido nos seus bancos.
A soma de más notícias na frente financeira acaba com as dúvidas que os cidadãos afectados nos diversos países ainda tinham no sistema financeiro. Está-se a confirmar que está mesmo um caos.
É verdade que a luta pelos lucros pode ter efeitos diferentes em diferentes entidades mas o que se pode ver com facilidade é que quase todas as instituições mergulhadas em crise viram seus gestores se demitindo com benefícios financeiros no lugar de serem punidos. O receio de que se expliquem assusta quem?
Devido ao seu papel fundamental na esfera económica e financeira há uma tendência forte de tratar com “panos quentes” gente que mexe com dinheiros alheios.
Muito lixo cairia se por exemplo houvesse uma investigação consequente do que se passa na Espanha e em muitos bancos por esse mundo fora.
O actual governo espanhol na pessoa de seu primeiro-ministro embora nada indique que esteja relacionado com os gestores de topo do Bankia e de outros bancos com problemas não deve estar atravessando momentos de sossego. Afinal os acusados de falsas informações e indiciados criminalmente são figuras de relevo do partido que actualmente forma o governo, o Partido Popular.
Se em Moçambique quase nada se diz quando o Banco Central altera taxas de juros e os bancos comerciais não actuam na mesma direcção isso tem reflexos limitados devido à dimensão da economia moçambicana. Os lucros avultados anunciados com pompa e circunstância pelos bancos comerciais actuando em Moçambique resultam de taxas de juros que lhes são excessivamente favoráveis, presume-se.
O que os investidores encontram em Moçambique tem sido almofada para as operações executadas com enormes prejuízos pelas sedes de alguns bancos na Europa. O que se estará a permitir aqui com a banca para tantos bancos abrirem por cá como cogumelos?
Vamos ver toda a comunicação social influente relegando para as páginas secundárias dos jornais as notícias relacionadas com a manipulação das taxas de juro pelo grandes bancos porque isso não convém, especialmente neste momento em que os países da zona do Euro se batem com pressões de suas dívidas soberanas e a economia americana tarda a recuperar como se esperava ou pelo menos se desejava.
Qualquer investigação que este assunto for a merecer na arena internacional será politicamente controlada de modo a que os danos ao sistema sejam os menores possíveis.
E nessa linha de actuação estarão os órgãos de comunicação social mais influentes do mundo… Onde já chega a promiscuidade!... Será!? O que nos reserva isto que está a acontecer pelo mundo? (Noé Nhantumbo)

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