domingo, 13 de maio de 2012

MPLA não lamenta morte do seu co-fundador



Lisboa –  Observadores atentos em Luanda, notam que até ao momento (em que foi a enterrar este sábado) o  MPLA  ainda não lamentou  o passamento físico  do seu co-fundador, o  nacionalista,   João Vieira Lopes. A tradicional declaração de pesar com que acostumou o público  é emitada  sempre que uma figura de relevo da sociedade parte. A Liga Africana e o  Bloco Democrático foram as principais agremiações da sociedade que reagiram  a morte deste  ex- guerrilheiro do MPLA que perdeu a vida no passado dia 10 de Maio.

Fonte: Club-k.net
Por  causa de ressentimentos do passado
O  Bureau Político, por exemplo,  reuniu-se, na  sexta feira (11) em Luanda, e de entre varias questões que tratou foi  omisso ao assunto.  O mesmo se passa com a Assembléia Nacional onde o malogrado  foi deputado durante a primeira legislatura.

O silêncio do MPLA, é visto como uma realidade decorrente com figuras com o qual o mesmo se incompatibilizou no passado ou que tenham  adoptado postura criticas a sua conduta menos boa.  Já em Agosto de 2010, o partido no poder teve dificuldades em reagir a morte do  Frei Domingos tendo o feito quatro dias depois após reparos por parte da sociedade. Frei Domingos era uma  figura  que em vida condenava a corrupção no regime,  as detenções arbitrarias e os atentados contra as  liberdades cívicas em Angola  e por tal ousadia foi varias vezes verbalmente violentado nas paginas do Jornal de Angola por  parte de José Ribeiro, o director da publicação.

João Baptista de Castro Vieira Lopes  que Médico de profissão era  conhecido nas lides políticas como um dos últimos sobreviventes  da linha dos co- fundadores do MPLA. Fez parte da geração que após concluir os estudos no liceu em Luanda,  embarcou para Portugal em 1952 para estudar Medicina.

Em terras lusas, foi Presidente da Casa dos Estudantes do Império e dirigiu a famosa “fuga dos 100”  que teve como destino os Congos onde se   encontrava  a direção do MPLA. Ai foi  imediatamente integrado  no Corpo Voluntário de Angolanos de Ajuda aos Refugiados (CVAAR), uma organização humanitária afecta a este movimento e que tinha a cabeça Deolinda Rodrigues.  Documentos da PIDE datados de 1962 apresentam  João  Vieira Lopes  como um  influente  membro  do  Comité  Director  do MPLA equivalente ao  Bureau Político de hoje que esteve a estagiar  em  Louvanium  (Hoje Kinshasa). Concluiu  a sua formação acadêmica  aos 29 de Junho de 1963 na especialidade de ginecologia.

Ainda ao tempo do exílio, incompatibilizou-se com Agostinho Neto, e de seguida mudou-se para Argélia onde praticou médicina.  Neste país, estava com um  outro dissidente, Viriato da Cruz. No período  pos Independência regressou a Angola, onde  exerceu  a sua profissão e ao mesmo tempo  deu  aulas na Universidade Agostinho Neto.

Com a abertura ao multipartidarismo, o professor  João  Vieira Lopes   participou nas eleições de 1992, tendo sido eleito como  deputado único  da Frente para Democracia (FpD), partido onde se encontrava um sobrinho, seu Filomeno Vieira Lopes. Até a data do seu desaparecimento físico ocupava o cargo  de Presidente da Mesa de Assembleia-Geral da liga africana.

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