sexta-feira, 3 de agosto de 2012

MPLA Despreza Sobas


Por Alfredo Muvuma:
Para a presente campanha eleitoral o MPLA escolheu um sugestivo slogan: “Angola a Crescer Mais e a Distribuir Melhor”.
Pragmáticos, os dirigentes deste partido não perderam tempo em demonstrar, com exemplos práticos e pedagógicos, como se fará esse crescimento e, mais ainda, como se distribuirá melhor.
Quem esteve presente no comício do MPLA, no início da semana em Luanda, para o lançamento oficial da sua campanha eleitoral, ou viu as imagens pela televisão, ficou com uma ideia clara de como o crescimento e a distribuição se processarão.
Uma das fotos que ilustra o presente texto, mostra quadros e responsáveis do MPLA e do governo, dentre os quais se reconhecem, da esquerda para a direita, o ministro das Finanças, Carlos Alberto, o administrador de Luanda, José Tavares, o ministro da Defesa, Cândido Van-Dúnem. Este confabula  com o seu primo José Van-Dúnem, ministro da Saúde, e João Borges, ministro da Energia e Águas. Estão sentados num dos três palcos montados, com cobertura e em plataformas altas.
Também chamados à mesma cerimónia, os sobas e seculos, ou seja, as autoridades tradicionais, foram “alojados” literalmente debaixo dos pés dos dirigentes do MPLA e sem cobertura contra o sol, numa plataforma abaixo, num banco corrido, como se de presos se tratassem. E embora o sol fosse igual para todos, a nenhum membro do protocolo do MPLA ocorreu que  as autoridades tradicionais também sentem sede.

Na cultura bantu, as autoridades tradicionais são alvo das maiores deferências: são-lhes reservadas os melhores lugares e os maiores e mais apetitosos nacos de comida. Mas na cultura do MPLA,  as autoridades tradicionais não passam de massa de gente mal cheirosa. Corre a história que um governador provincial recusa-se a receber autoridades tradicionais no palácio do governo com receio de que os serviços de limpeza não sejam capazes de eliminar o alegado mau cheiro que sobas e seculos deixariam impregnado no edifício.

As autoridades tradicionais limitam-se pois a servir apenas para o controlo autoritário das suas comunidades e para a garantia do voto ao MPLA.
Se ilusões houvesse sobre como o MPLA pensa “distribuir melhor” os recursos do país, aqui está uma pequena demonstração.


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