O Fórum Independente dos Desmobilizados de
Guerra de Angola (FIDEGA) irá realizar, a 3 de Agosto do corrente, uma
manifestação pública na província da Huíla, com os seus associados.
Segundo o presidente do FIDEGA, Nunes Manuel,
a manifestação responde ao “incumprimento por parte do Estado-Maior General das
Forças Armadas Angolanas (FAA), que prometeu o envio de uma comissão, no mês de
Julho, para avaliar a situação dos 16,000 desmobilizados que continuam por
receber os seus subsídios desde 1992, há 20 anos”.
A 20 de Junho, o FIDEGA juntou mais de dois mil
associados no município da Matala, que se juntaram para exigir uma manifestação
de protesto.
Na nota enviada às autoridades locais, e a
cuja cópia o Maka Angola teve acesso, o FIDEGA alerta para o
“sentimento de descontentamento e revolta” que tem crescido entre os
desmobilizados.
De acordo com a referida nota, o FIDEGA
refere-se à manifestação como “um exercício de cidadania” e considera a mesma
como um contributo para a liberdade de expressão e democracia. Diz que a mesma
terá como palavras de ordem as seguintes exigências: “queremos os nossos
direitos”, “queremos que se faça justiça”, “queremos a nossa dignidade” e
“queremos emprego”.
Governo Local Desvia Pensões
Por outro lado, enquanto os desmobilizados se
preparam para a manifestação, outro grupo desafecto promete solidariedade.
Trata-se dos antigos combatentes e veteranos da pátria inseridos no sistema de
pensões do ministério de tutela.
O governo provincial da Huíla, sob
responsabilidade do governador Isaac dos Anjos, é acusado de ter desviado cerca
de cinco milhões de kwanzas que se destinavam ao pagamento das pensões de
veteranos da pátria.
O montante cobria o mês de Dezembro e o
décimo terceiro mês do ano de 2010 e abrange 5,030 pensionistas.
Em Fevereiro passado, o ministério dos
Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, enviou uma comissão à Huíla para
apurar as reclamações apresentadas pelos pensionistas. A comissão concluiu que
o governo local gastou, inexplicavelmente, a verba atribuída pelo governo para
os antigos combatentes.
Segundo o acordo estabelecido com a comissão,
o governo de Isaac dos Anjos comprometia-se a repôr os fundos desviados, até
Abril passado, e a efectuar os pagamentos no mesmo mês.
Volvidos quatro meses, os ex-militares, cujas
pensões variam entre os 15,000 e 16,000 kwanzas mensais, continuam sem receber.
O director provincial dos Antigos Combatentes
e Veteranos da Pátria, Benjamim Kapata, escusou-se a prestar declarações
justificando que não é a “pessoa certa para falar sobre o assunto”.
Em Junho de 2011, Benjamin Kapata e o
presidente do FIDEGA, Nunes Manuel, passaram uma semana em Luanda, a trabalhar
com o vice-ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Clemente
Cunjuca, e sua equipa, para uma resolução sobre os fundos desviados.
Não há informação pública sobre uma
investigação criminal sobre o descaminho dos salários dos pensionistas.

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