quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Veteranos de Guerra Revoltados na Huíla


O Fórum Independente dos Desmobilizados de Guerra de Angola (FIDEGA) irá realizar, a 3 de Agosto do corrente, uma manifestação pública na província da Huíla, com os seus associados.
Segundo o presidente do FIDEGA, Nunes Manuel, a manifestação responde ao “incumprimento por parte do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA), que prometeu o envio de uma comissão, no mês de Julho, para avaliar a situação dos 16,000 desmobilizados que continuam por receber os seus subsídios desde 1992, há 20 anos”.
A 20 de Junho, o FIDEGA juntou mais de dois mil associados no município da Matala, que se juntaram para exigir uma manifestação de protesto.
Na nota enviada às autoridades locais, e a cuja cópia o Maka Angola teve acesso, o FIDEGA alerta para o “sentimento de descontentamento e revolta” que tem crescido entre os desmobilizados.
De acordo com a referida nota, o FIDEGA refere-se à manifestação como “um exercício de cidadania” e considera a mesma como um contributo para a liberdade de expressão e democracia. Diz que a mesma terá como palavras de ordem as seguintes exigências: “queremos os nossos direitos”, “queremos que se faça justiça”, “queremos a nossa dignidade” e “queremos emprego”.
Governo Local Desvia Pensões
Por outro lado, enquanto os desmobilizados se preparam para a manifestação, outro grupo desafecto promete solidariedade. Trata-se dos antigos combatentes e veteranos da pátria inseridos no sistema de pensões do ministério de tutela.
O governo provincial da Huíla, sob responsabilidade do governador Isaac dos Anjos, é acusado de ter desviado cerca de cinco milhões de kwanzas que se destinavam ao pagamento das pensões de veteranos da pátria.
O montante cobria o mês de Dezembro e o décimo terceiro mês  do ano de 2010 e abrange 5,030 pensionistas.
Em Fevereiro passado, o ministério dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, enviou uma comissão à Huíla para apurar as reclamações apresentadas pelos pensionistas. A comissão concluiu que o governo local gastou, inexplicavelmente, a verba atribuída pelo governo para os antigos combatentes.
Segundo o acordo estabelecido com a comissão, o governo de Isaac dos Anjos comprometia-se a repôr os fundos desviados, até Abril passado, e a efectuar os pagamentos no mesmo mês.
Volvidos quatro meses, os ex-militares, cujas pensões variam entre os 15,000 e 16,000 kwanzas mensais, continuam sem receber.
O director provincial dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Benjamim Kapata, escusou-se a prestar declarações justificando que não é a “pessoa certa para falar sobre o assunto”.
Em Junho de 2011, Benjamin Kapata e o presidente do FIDEGA, Nunes Manuel, passaram uma semana em Luanda, a trabalhar com o vice-ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Clemente Cunjuca, e sua equipa, para uma resolução sobre os fundos desviados.
Não há informação pública sobre uma investigação criminal sobre o descaminho dos salários dos pensionistas.


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