sexta-feira, 26 de junho de 2009

História Universal (13). Os Assírios



Finalmente, em 836 Joyada decidiu-se a actuar.

CARLOS IVORRA

Reuniu secretamente com os chefes militares da Judeia e apresentou-lhes um menino de sete anos. Afirmou que era Joás, filho de Ocozías, que seis anos antes, quando Atalía ordenou o extermínio da casa real, a sua esposa (irmã de Ocozías) salvou-o ou ocultou-o no templo, onde havia sido cuidado no mais estrito segredo desde então. A história é pouco credível, mas os generais aceitaram-na encantados, proclamaram rei a Joás, capturaram a Atalía e assassinaram-na. O povo aceitou de bom grado a restauração no trono da casa de David. A influência fenícia chegou ao seu fim tanto em Israel como na Judeia. Sem dúvida, ambos reinos ficaram muito debilitados.

Em 827 ocupou o trono chinês o rei Hsuan, que teve que facer frente às incursões dum povo bárbaro do Oeste: os Hsien-Yun. Por outra parte, estendeu o reino até ao sul, até ao rio Yang-Tse.

Por estas alturas Salmanasar III dirigia uma expedição contra os medos. Os assírios aprenderam deles o domínio dos cavalos grandes, incorporaram-nos à sua temível maquinaria bélica, mas também lhes deram usos civis. Com eles agilizaram o sistema de correios e mensageiros que estava no activo desde os tempos dos sumérios, o que lhes permitiu administrar mais eficientemente o império. Assim mesmo empregaram-nos para os transportes e o abastecimento das grandes cidades, pois Babilónia e Calach contavam então com uns trinta mil habitantes cada uma.

Em 824 o filho mais velho de Salmanasar III rebelou-se contra o seu pai, tratando assim de assegurar a sucessão, como era frequente quando um monarca oriental era já velho. O rei morreu antes de poder enfrentar o rebelde, mas o seu filho menor combateu em nome do seu pai e sufocou a rebelião depois de vários anos de guerra civil. Reinou como Shamshi-Adad V, mas não esteve à altura do seu pai, e o poder Assírio declinou.

Em 822 os bárbaros Hsien-yun saquearam Hao, a capital Chinesa, mas finalmente puderam ser rechaçados. Em 821, o quarto sucessor de Feizi, Zhuang, senhor de Qin, recebeu do rei o título de duque.

A decadência Assíria permitiu uma certa recuperação da Fenícia e da Síria. Os fenícios reafirmaram o seu domínio exclusivo sobre o Mediterrâneo. Em 814 fundaram uma nova colónia em África, cerca de Útica, na actual Tunes, e chamaram-na Karthadasht (cidade nova), em oposição a Útica, que devia ser a cidade velha. Hoje conhecemo-la com a versão romana do nome: Cartago. Neste mesmo ano morria o rei israelita Jehú, que foi sucedido pelo seu filho Joacaz. O novo rei teve que pagar tributo à Síria. O rei Hazael ia arrebatando paulatinamente a Israel e à Judeia grande parte dos seus territórios, tanto ao Este do Jordão como na costa Mediterrânea, onde se fez com o domínio das cidades-estado filisteias. Depois da morte de Jehú poderia apoderar-se da mesma Samaria, e Joacaz não teve alternativa.

As coisas não iam melhores na Judeia. O rei menino Joás governou debaixo da tutela dos sacerdotes, mas quando Joyada morreu e foi sucedido no sacerdócio pelo seu filho, o rei afirmou a sua independência e intrigou para fazer lapidar o novo sacerdote. O rei sírio Hazael chegou nas suas incursões à mesma Jerusalém e, para livrar-se da sua ameaça, Joás teve que pagar-lhe um forte tributo que saiu do tesouro do templo, com o que terminou de ganhar inimizade do clero.
Em 810 morreu o rei assírio Shamshi-Adad V, deixando a sua viúva Sammu-Rammat e um menino pequeno. A imagem de uma mulher que governou o império mais poderoso e temível do mundo deu lugar a muitas lendas, difundidas principalmente pelos gregos. Precisamente conhecemos melhor a rainha pela versão grega do seu nome: Semiramis. Os gregos fizeram-na esposa de Nino, o primeiro rei Assírio, segundo a sua versão da história, que fundou as cidades de Ninive e Babilónia. Nada disto é certo. Semiramis reinou só durante um breve período de tempo, aproveitando o temor que todavia inspirava a Assíria nos povos circundantes. Em 806 morreu Hazael da Síria, e foi sucedido pelo seu filho Benhadad III. Pouco depois um exército Assírio tomou Damasco, e impôs-lhe um forte tributo e deixou o país totalmente debilitado, pondo fim assim aos dez anos de esplendor em que a Síria dominou praticamente toda a Canaã. Semiramis morreu em 802 depois de oito anos de reinado (e não quarenta e dois, como diz a lenda). Foi sucedida pelo seu filho e a Assíria seguiu decaindo lentamente, atestando assim os bons resultados da política de terror que os seus monarcas poderosos praticaram, que salvou o país incluso quando provavelmente tivera sido una presa fácil para os seus muitos inimigos.

(Carlos Ivorra, é professor na Universidade de Valência, Espanha. Faculdade de Economia. Departamento de Matemáticas para a Economia e a Empresa.)
Traduzido do espanhol.

Imagem: http://br.geocities.com/oportaldehermes/assirios.htm

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