Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

sábado, 12 de outubro de 2013

ANGOLA. SINFO joga pessoas na fenda da Tundavala - Elias Chivangulula


Lubango - Quando eu era criança, dos nove anos até 14 mais ou menos, ouvia com frequência os meus pais conversarem sobre a guerra e seus efeitos nefastos. Dentre as histórias por eles contadas eram narrados factos terríveis, hediondos. Estávamos nos anos de 1989, a guerra estava quente. Vieram depois os acordos de paz, uma pequena trégua se fez sentir em 1992, mas a guerra retomou seu curso, e o clima assombrado e de sofrimento em que vivíamos nos fazia imaginar como seria viver em um país em paz e com justiça. Aliais, acho que nem sabíamos pensar em justiça, apenas na possibilidade de um acordar sem o estalido de armas, sem ouvirmos notícias da guerra no rádio.

Fonte: Club-k.net

Esse tempo passou. Mas as histórias ficaram em nossa memória. Foram muitas mortes, crimes hediondos perpetrados pelos militares, crimes que deveriam ser investigados enquanto alguns dos autores desses crimes encontram-se vivos e entre nós.
Lembro-me de um facto, indelével: Um tio nosso, primo do meu pai, sob suspeita de ser da UNITA foi lançado na FENDA DA TUNDAVALA. Essa história de terror não me sai da memória.
Meu pai conta que eles foram colocados em caixões de madeira e lançados de uma altura de mais de 700 metros de altura para baixo, numa queda livre entre rochas, e lá se foi o tio [nome não revelado sob pena de eu vir a ser capturado pelo regime], nunca mais voltou.
Jogar pessoas contrárias ao regime do MPLA na Fenda da Tundavala era comum, e afinal ainda não terminou essa prática.
A UNITA no planalto central também cometeu as suas atrocidades, e a minha opinião pessoal é que todos os crimes cometidos durante a guerra, crimes contra a humanidade, apesar da guerra ter terminado com a morte de Jonas Savimbi, deveriam merecer uma cerrada investigação.
Claro, eu sei que isso é pedir de mais, já que estamos privados de capacidade cerebral para chegar a conclusões que promovam justiça. Aqui em Angola a AMNÉSIA TRIBAL é uma mal que se propaga rapidamente entre toda sociedade. Vive-se debaixo do medo.
PRÁTICAS DE GUERRA QUE CONTINUAM
Nós os professores hoje temos o privilégio de lidar com muitas pessoas, e algumas dessas pessoas que estudam nas escolas onde damos aulas e colégios onde colaboramos são membros activos do partido e do governo no poder. Muitos deles, a exemplo da maioria, vivem insatisfeitos, porém sem coragem de denunciarem os actos do regime no poder. Não diria apenas medo, mas assiste-se a uma passividade generalizada da sociedade angolana face às questões sociais.
Passou recentemente na TPA uma reportagem sobre a região da TUNDAVALA, na qual o soba e os populares daquela região confirmaram factos que me levaram a pensar nas histórias de guerra que ouvira dos meus pais, e a pergunta estridente que me fiz foi: Afinal é verdade mesmo que pessoas eram lançadas TUNDAVALA FENDA ABAIXO?
Quando assisti aquela reportagem achei oportuno trazer ao debate um assunto caricato, são factos que as gerações futuras nos serão gratas por termos tido coragem de os revelar, diferentemente da geração de 40, 50 e 60, a geração do medo, ou pior, do pânico.
Eu nasci e cresci no Lubango, aqui é minha casa. Apesar de jovem, vale mencionar que a minha geração dos 30 aos 40 anos de idade é a que está a ascender aos postos de governo e carreiras públicas hoje. São os nossos amigos que são os directores de Bancos, Directores de escolas, Advogados, Juízes, Médicos, Professores Universitários e não só, Empresários, Comerciantes informais, mecânicos, Carregadores de areia, Peixeiros, Polícias, etc.
É inevitável ter contacto com factos escondidos, porque somos nós, como diz o brasileiro, “ é nóis mano”. Saber disso me dá esperança, me faz acreditar que um dia a nossa geração tomará de assalto esse país e o mudará. Tomará de assalto com a democracia, diálogo e paz, nada haver com guerras de armas de fogo, mas outro tipo de guerra. A guerra será feita no sentido transversal: Denunciar, Investigar e Condenar governantes Corruptos e limpar a nação dessa estirpe.
Tenho um amigo oficial superior do SINFO NO LUBANGO. Nós conversamos muito sobre temas políticos, económicos e sociais, inclusive falamos de assuntos religiosos, pois na nossa adolescência fomos membros da mesma igreja. Uma dessas igrejas do Lubango dirigidas por Pastores e Reverendos Covardes, que governam os colégios e instituições de beneficência da Igreja sem prestar contas a ninguém, que desviam as bolsas de estudo querecebem do estrangeiro para beneficiar seus filhos e sobrinhos, ao olhar impune dos membros do conselho que os endeusaram. É catastrófico. As Igrejas são o espelho ridículo do partido único no poder.
Bom, hoje somos adultos, e vem em quando nos encontramos e abordamos temas sérios, e ele aproveita para descarregar sua mente, seguida de vários fantasmas advindos de atrocidades obrigado a cometer no seu trabalho de investigar e informar, talvez diria “procurar fontes e bufar… esse é o termo que usam”. Os factos que ele narra são por demais assustadores. Mencioná-los-ei nesse espaço. Agora porém, iniciarei nos relatos de um aluno meu, membro novato do SINFO.
Desabafou comigo numa escola onde dou aulas que o regime do MPLA encomendou a morte de três pessoas, que foram lançadas na FENDA DA TUNDAVALA, numa acção conjunta entre o SINFO E A DNIC. Esse facto é recente. São três pessoas inocentes que foram lançadas na TUNDAVALA.
As palavras daquele agente secreto foram tão contundentes, e abriu-se como uma criança em busca de alívio mental. “Temos sido obrigados a fazer coisas terríveis, como jogar pessoas inocentes na FENDA DA TUNDAVALA”. Pessoas não ligadas a partido algum, jovens, trabalhadores, que foram alvos de denúncias, algumas delas caluniosas.
KAMULINGUE E CASSULE E UM TERCEIRO HOMEM
Apôs ouvir atentamente aquele amigo falar, comecei a pensar vagarosamente sobre o paradeiro de KAMULINGUE, CASSULE E UM TERCEIRO HOMEM desaparecido nesse país sem explicações credíveis do seu paradeiro. Uma voz ecoou em minha consciência com uma certeza quase que absoluta dizendo que esses três homens lançados na FENDA DA TUNDAVALA PODEM SER ESSES JOVENS activistas sociais.
A revelação desse agente do SINFO motivou várias outras perguntas que o fiz sem recear, não só a esse, mas também a outro amigo da DNIC. Eu procurei saber se era mesmo verdade que o regime ainda faz sumir pessoas? Se era mesmo verdade que a TUNDAVALA ainda serve de cemitério de vivos lançados de cima para baixo? Se os nossos telefones estão mesmo sob escuta? A verdade nua e crua é assustadora. Não só matam pessoas na FENDA DA TUNDAVALA, como estão orientados a perseguirem qualquer um que tiver uma fala que represente ameaça ao partido no Poder.
Tendo em conta o facto de não termos uma sociedade organizada, porque se olharmos para o conceito de corrupção definido pelo dicionário chegaremos a conclusão de que em Angola existe apenas um bando “isso mesmo, bando animal irracional” de pessoas com alguma massa encefálica espalhada desproporcionalmente dentro dos crânios, os familiares de Kassule e Camulingue, desparecidos há mais de um ano em Angola, sem deixarem rastos, deveriam considerar estarem mortos, lançados na FENDA DA TUNDAVALA por agentes do SINFO a mando das tropas da UGP.
Em um país com um poder político da oposição organizado e inteligente, esses temas de violação dos direitos humanos, por sí só, seriam desgastantes, terrivelmente desgastantes para trazer os holofotes internacionais sobre o partido que os trouxer a debate.
A guerra Política ganha-se nos detalhes, pequenos, e são esses que têm sido esnobado. É claro que um homem que manipula e convence tantos outros seres humanos adultos a estarem ao seu lado incondicional e silenciosamente, em África, não está sozinho.
O presidente JES e sua máquina de governação contam com a ajuda clara de demónios, de forças das trevas, de rituais de feitiçaria, alta magia negra africana, pois somente seres poderosos podem se propagar por toda uma nação e instaurar o MEDO, ou pior, o PÂNICO.
O que se tem pela DELES EXCELÊNCIA JES não é um respeito normal, é um temor fora do normal, cujo poder outros ditadores da história de África o detiveram, mas debaixo de uma forte influência demoníaca. Isso é provado. Diante do presidente JES ninguém tem coragem de levantar a voz. Tornam-se todos como meras crianças, até os pastores de igrejas carismáticas: São impotentes diante do poder de convencimento desse homem. Os sobas que o banham sabem de que poder está ele revestido.
TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL
A oposição política de Angola, junto com os familiares desses três homens desaparecidos, e que suspeito serem eles que o meu amigo disse terem lançado na fenda da Tundavala, deveriam sair de Angola e ir até Aia, apresentar uma queixa crime, mobilizar a comunidadeinternacional para que se mova um processo ferrenho de investigação sobre omesmo. A acontecer, a história começará a mudar de rumo.
Não existem tribunais em Angola, e o temor é que qualquer um de nós que escreve e fala nesse portal também poderá ser alvo de uma investigação criteriosa, e o nosso fórum de julgamento será A FENDA DA TUNDAVALA NA CALADA DE UMA NOITE FRIA.
Se porventura tivesse a oportunidade de participar de uma formação política como a CASA-CE, com o número de militantes que tem, de forma estratégica mesmo, não tiraria esse assunto da boca dos militantes. Observem o que vence eleições nos países democráticos? São pequenos pontos de vista, erros de adversários, segurados com unhas, garras e dentes, até desgastarem a imagem do partido no poder, criando a desconfiança dos investidores estrangeiros e diplomacia estrangeira na confiança do partido no poder, e mudar a corrente eleitoral nas próximas eleições.
O primeiro caminho é rumarem para um tribunal internacional e pedir que se faça justiça, e isso deve ser feito urgentemente, sob pena desse crime prescrever. Não estou certo se crimes hediondos prescrevem, mas as manobras do MPLA estão sendo feitas em todas as direcções para mudar o rumo dos acontecimentos e silenciar a opinião pública nacional e internacional sobre os casos de grave violação dos direitos humanos que ocorrem em Angola.
DIREITOS HUMANOS EM RISCO
Se um agente do SINFO desabafa que têm jogado pessoas vivas na FENDA DA TUNDAVAL, as instituições humanitárias, igrejas, associações civis e partidárias, deveriam manter-se caladas?
Até mesmo o presidente desse país, se fosse homem de bem, a ordem para que se investigassem denúncias como essas deveria primeiramente partir dele. Mas é claro que investigar e mandar investigar requer que eles mesmos estejam limpos. E receio que não o estejam, e se atemorizem que uma possível CPI traga atona horrores cometidos agora, mesmo depois da guerra ter terminado.
Apelo a UNITA, CASA-CE, BLOCO DEMOCRÁTICO e outros partidos e organizações não governamentais, a não darem tréguas até que se faça justiça sobre a vida de pessoas desaparecidas em Angola durante as manifestações e não só. A continuar uma pressão política sobre esses factos, o rumo dos acontecimentos nesse país mudará. Pois os americanos verão eles mesmos que alguma coisa não está bem.
A todos os activistas, que falam, escrevem e entrevistam, como nós, cuidem-se realmente. Quem reside no Lubango e quer fazer frente ao MPLA terá de estar preparado para morrer na Fenda da Tundavala a qualquer momento. Tenham todo cuidado, e ainda assim é pouco.
Apelo ao Club-K que invista em páginas paralelas em Inglês, Francês e Espanhol a princípio, para que a comunidade internacional e pessoas de países americanos e europeus e asiáticos possam ler o que se passa em Angola, e a consciência de muitos possa exercer pressão para que Angola deixe de viver de aparências e comece a esclarecer casos de desaparecimentos, prisões arbitrárias, corrupção, prostituição dos ministros nas fazendas deles aqui na região, e a resistência pacífica e inteligente que fazeis traga uma nova era a Angola.
Tenho dito.
Elias Lourenço Chivangulula.

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