Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Vender a nossa economia à máfia angolana é vender a alma ao Diabo


Na sua coluna no Expresso, João Duque deixou bem claro como vê a liberdade e a democracia neste País. A liberdade de expressão e de informação estão à venda. Vale a pena ler este naco de prosa: http://arrastao.org/2402629.html. Mas não quero aqui perder mais tempo com esta personagem. Nem a excelente caricatura da ideologia dominante que ela representa. Agora concentro-me noutro tema: as nossas relações económicas com Angola.
http://expresso.sapo.pt
Como se sabe, Pedro Passos Coelho foi a Luanda para vender as nossas empresas públicas. Deslocou-se a um dos mais ricos países africanos, que, sendo um dos maiores exportadores de petróleo do Mundo, permanece em 148º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano e com dois terços da sua população a viver com dois dólares por dia. Os crimes de sangue e económicos fazem parte da natureza da cúpula mafiosa que domina os negócios em Angola (ler "Diamantes de Sangue", de Rafael Marques). E mesmo quando a generalidade dos países europeus vive momentos de dificuldade, a entrada de capitais angolanos é vista com desconfiança, por ser um factor de insegurança. Até no mundo financeiro, dominado pela falta de escrúpulos, a elite económica de Angola está para lá de uma fronteira que só os mais "afoitos" se atrevem a transpor.
A entrada do investimento angolano (ou seja, do investimento da família dos Santos e dos seus generais e amigos) levanta um problema grave na economia portuguesa. As grandes empresas angolanas não têm contas públicas e vivem no meio da obscuridade legal e financeira. Onde o dinheiro do regime angolano entra acaba sempre por surgir um escândalo legal de grandes proporções. Com estes investidores, será impossível manter regras minimamente transparentes nas nossas empresas.
A ideia de ter as maiores empresas públicas, grande parte delas monopólios naturais, entregues a grupos mafiosos, que não olham a meios para conseguir os seus fins, só pode assustar qualquer pessoa séria. Sabemos que há corrupção na economia portuguesa. Mas a "angolanização" da nossa economia levará a nossa democracia para um outro patamar de degradação. Se a máfia angolana conseguir aqui o que não tem conseguido noutros países europeus a pouca credibilidade que resta às nossas maiores empresas desaparecerá. Há muito que nos devíamos estar a preocupar, por exemplo, com o peso que já detêm na banca nacional.
A participação do regime angolano, através de empresas que ninguém sabe a quem realmente pertencem e que interesses defendem, na comunicação social portuguesa, deveria causar uma enorme preocupação a jornalistas, empresários do sector e cidadãos em geral. Trata-se de um investimento que não procura o lucro nem se comove com a liberdade de imprensa. O regime angolano (económico e político, que é coincidente) está a comprar poder. E, para a família dos Santos e seus amigos, a conquista de poder não tem limites éticos. Quando Angola dominar a nossa imprensa e televisão, não imagino como viverão os jornalistas e comentadores portugueses que não aceitem a lógica de João Duque e queiram continuar a trabalhar em liberdade e sem se submeter à autocensura para não desagradar a amigos de ministros de José Eduardo dos Santos.
Este negócio é mau para os dois lados. Para Portugal, porque corresponde à "gangsterização" da nossa economia. E para Angola, porque significa um desvio de fundos de um País que tem quase tudo por fazer na melhoria das condições de vida dos seus cidadãos. Eles compram a nossa liberdade à custa da miséria do seu povo. Nós julgamos que salvamos a nossa economia à custa da nossa liberdade e credibilidade.
Quando ouvimos os nossos governantes falar, quase todos os dias, da importância de defender a credibilidade das nossas instituições públicas e privadas, não deixa de ser interessante vê-los a vender monopólios empresariais, a saldo, ao submundo económico. Não se julgue que não está a ser notado. Muito mais do que grande parte das nossas novelas políticas domésticas. O "New York Times", por exemplo, já escreveu sobre o assunto.
Angola parece ser uma galinha dos ovos de ouro. Mas, nesta promíscua relação com o ditador de Luanda, estamos a vender a alma ao Diabo. E quando quisermos corrigir o erro será tarde demais. Serão os seus amigos a ditar as regras. E as suas regras são sinistras. Como sabe qualquer pessoa honesta que tenha tentado fazer negócios em Angola.




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