Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

LUANDA. Polícia Tortura Manifestantes


por Maka Angola
O jovem Fernandes da Silva, de 20 anos, experimentou ontem um novo conceito de manutenção da lei e da ordem da Polícia Nacional. O cidadão foi detido e torturado quando as autoridades reprimiram violentamente uma tentativa de manifestação anti-governamental protagonizada por um grupo informal de jovens, denominado Movimento Revolucionário.

Detido por volta das 17h00, nas imediações do Largo da Independência, por agentes da Polícia Nacional, o manifestante contou, em exclusivo ao Maka Angola, a tortura a que foi submetido.

“Um agente da Polícia Nacional picou-me várias vezes na cabeça com um sabre. Espancaram-me brutalmente, atiraram-me ao chão, pisaram-me no peito com botas”, disse Fernandes da Silva.

Já na carrinha da Polícia Nacional, um dos agentes retirou um dos atacadores do seu calçado. “O agente amarrou-me os testículos com o atacador e, com toda a força, foi o caminho todo a puxá-los”, revelou o jovem a partir da 3ª Esquadra, na Vila Alice, onde se encontrava detido.

“Sangrei muito, mas a polícia não me prestou os primeiros socorros”, denunciou a vítima.

Outro jovem manifestante, José Augusto Camilo, de 19 anos, revelou ao Maka Angola ter sofrido um ataque de agentes à paisana que o imobilizaram, ainda no Largo. “Um deles aplicou-me uma injecção  nas costas, não sei com o quê e qual será o efeito”, lamentou José Augusto Camilo, também detido na 3ª Esquadra.

José Augusto Camilo queixava-se de inflamação nas costas bem como no braço direito e também não recebeu qualquer assistência médica.

Por sua vez, o terceiro manifestante, dos encarcerados na 3ª Esquadra, contou como os policiais o maltrataram com socos e pontapés, para além de porretes.

“A polícia colocou um panfleto falso, que eles inventaram, na barriga do Camilo, que já estava injectado por eles. A polícia trouxe a TPA que o filmou assim, sem camisa, para fazerem a propaganda que nós queremos guerra”, explicou o manifestante.

Segundo o advogado David Mendes, as agressões sofridas pelos jovens configuram  “actos de violência ilegítima contra presos, passíveis de punição à luz do Código Penal”.

Entretanto, Conceição José Ventura, de 21 anos, confirmou ao Maka Angola que fazia parte de um grupo de sete manifestantes, inicialmente detidos na Unidade de Rádio Patrulha que, à noite, foram transferidos também para a 3ª Esquadra.

O jovem identificou, entre os sete manifestantes, Bernardo João, Eduardo Dala e Alberto Pinto. Disse que os membros do seu grupo não sofreram agressões sérias, para além de uns tabefes.

Com estes três detidos, eleva-se para 23 o número de manifestantes detidos pela Polícia Nacional e devidamente identificados por Maka Angola.

Os 10 jovens, detidos em dois grupos diferentes na 3ª Esquadra, foram soltos no mesmo dia, por volta das 23.20 .

David Mendes questionou a legalidade da intervenção da Polícia Nacional contra os manifestantes. “Que lei a polícia estava a cumprir? Quem chamou a polícia para intervir quando não havia alteração da ordem pública?”

O advogado lembrou que “até hoje, o governo provincial de Luanda não notificou os promotores da manifestação, nem respondeu à sua petição nos prazos estabelecidos por lei”.

Segundo o defensor dos direitos humanos, o comandante provincial da Polícia Nacional em Luanda alegadamente agiu por excesso de zelo e pode ter incorrido no “crime de abuso de autoridade”.

Imagem de uma manifestação anterior contra o Presidente José Eduardo dos Santos.

Enviar um comentário