quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

DÓLARES? NEM VÊ-LOS! Folha 8





BANCO NACIONAL E BANCA COMERCIAL DEPOIS DE TANTA
ROUBALHEIRA ESTÃO SEM DIVISAS

A falta de dóla­res na banca angolana está a impedir le­vantamentos imediatos ao balcão e já fez disparar a cotação da moeda norte-americana nas tradicionais ‘kinguilas’ de Luanda, que já têm di­ficuldades em satisfazer a procura.
Em causa está a acentuada redução das receitas ango­lanas com o petróleo, face à quebra da cotação do barril no mercado internacional, que por sua vez fez reduzir a entrada de divisas, des­valorizando fortemente o kwanza.
“São indicações do Banco Nacional de Angola. Fa­zem-se reservas de divisas, para levantar nos próximos dias, mas não é garantido que seja autorizado o levan­tamento do montante total pedido”, explicou o gerente de um balcão de uma das instituições bancárias ango­lanas, sob reserva.
A situação afecta empre­sas, que vêem dificultados pagamentos em divisas, ou clientes que pretendem viajar para o exterior e que nem com os comprovati­vos das deslocações conse­guem fazer levantamentos.
Em Luanda a situação tem levado os clientes a recor­rerem ao mercado informal das ‘kinguilas’, mulheres que em plena rua trocam divisas por kwanzas e vice­-versa.
Enquanto a taxa de câm­bio oficial, publicada pelo Banco Nacional de Angola, fixa actualmente a compra de cada dólar pelo cliente – quando se consegue rea­lizar – em 103,8 kwanzas (86 cêntimos de euro) e a venda em 102,8 kwanzas (85 cêntimos de euro), na rua esses valores dispararam nas últimas semanas.
QUEM TEM ESTÁ A FACTURAR E ESPECULAR
Uma rápida consulta fei­ta pela Lusa nos merca­dos informais de Luanda confirma que comprar às ‘kinguilas’ de rua cus­ta mais de 120 kwanzas (1 euro) por cada dólar. Também para quem quer vender dólares a taxa in­formal praticada é subs­tancialmente superior à oficial, dada a procura para compra, e oscila en­tre os 110 e os 113 kwanzas (94 cêntimos de euro) por cada dólar.
Embora sem se identifi­carem, dada a vulnera­bilidade deste negócio, estas vendedoras são unânimes em garantir que os preços vão dis­parar nos próximos dias, face à contínua escassez de moeda.
Angola é o segundo maior produtor de petró­leo da África subsaariana, tendo o crude garantido 76% das receitas fiscais de Angola em 2013.
O Governo angolano projectou para 2015 a ex­portação de cada barril de petróleo a um valor médio de 81 dólares – re­ferência para calcular a previsão de receitas fis­cais -, mas os preços no mercado internacional rondam os 50 dólares. Por este motivo está já a ser preparada a revisão do Orçamento Geral do Estado para este ano.
Folha 8. Edição 1221 de 24 de Janeiro de 2015
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