Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Economist: Angola arrisca repercussões sociais se não tiver cuidado a cortar na despesa





A Economist Intelligence Unit (EIU) considerou hoje que o Governo de Angola tem de gerir cuidadosamente os cortes na despesa pública que está a planear, senão corre o risco de ter repercussões sociais devido às expectativas da população.
"Não há dúvidas de que o Governo precisa de rever a despesa pública face ao preço actual do petróleo - que está actualmente abaixo dos 35 dólares por barril quando o Orçamento prevê 81 dólares -, mas também precisa de gerir cuidadosamente os cortes na despesa sob pena de se arriscar a ter repercussões sociais", lê-se no documento que analisa a estratégia do Executivo angolano para a Administração Pública.
No relatório que foi enviado aos investidores, e a que a Lusa teve acesso, os economistas da unidade de análise económica da revista britânica The Economist mostram ainda dúvidas sobre a estratégia do Executivo para a função pública: "Congelar os salários é uma estratégia potencialmente arriscada, porque tem um impacto directo na população. Dado o clima de austeridade devido ao colapso dos preços do petróleo, e ao já alto desemprego elevado, a estratégia pode fomentar a agitação social".
Lembrando que, de acordo com números oficiais, os salários públicos representam 30% da despesa vertida no Orçamento para o próximo ano, a EIU afirma que os gastos com a função pública em Angola "são altos, principalmente por causa das empresas públicas mal geridas, por isso tentar reduzir a despesa com salários é uma boa ideia".
O problema, defendem, é mais profundo: "desde o final das três décadas de guerra civil, em 2002, Angola tem estado inundada de dinheiro, devido ao petróleo e ao investimento externo, e alguns sectores da sociedade têm lucrado imenso", escreve a EIU, notando que, "no entanto, numerosas camadas da população ainda vivem na pobreza, e até aqueles considerados de classe média devido às qualificações profissionais lutam para conseguir pagar as contas".
Acresce a isto que "o luxuoso estilo de vida exibido pela elite do país - muitos dos quais têm fortes ligações pessoais à família do histórico Presidente, José Eduardo dos Santos -, cria uma grande expectativa entre os angolanos sobre o que o dinheiro do petróleo devia proporcionar", conclui o relatório.
LUSA
ANGOLA24HORAS
Enviar um comentário