sábado, 10 de janeiro de 2015

Horripilante terrorismo em Angola. Estamos em perigo de morte.






(Título deste blogue)


A Academia Militar do Exército, no município do Lobito, em Benguela, tem em curso uma investigação contra a cidadã Maria Alexandra de Vitória Pereira, 48 anos, acusada de ter invadido o seu quartel a 22 de Dezembro passado. Maria Alexandra é filha de Carlos Alberto de Vitória Pereira Mac-Mahon, falecido deputado do MPLA.

Nelson Sul D'Angola
MAKAANGOLA

Por sua vez, a visada apresentou queixas às instituições de direito contra a academia, denunciando por ter sido vítima de espancamentos e de abusos raciais no local. 
A causa do litígio é o estacionamento de uma viatura.
Por volta das 22h, Maria Alexandra de Vitória Pereira parou a sua viatura junto da referida academia, para acomodar a filha Ashanti, de sete anos, que chorava no banco traseiro. Regressava de um jantar, em companhia de José Patrocínio, activista cívico e director da ONG Omunga.
Alguns militares acercaram-se da automobilista, exigindo-lhe que retirasse imediatamente a viatura do local. Maria Alexandra de Vitória Pereira afirma ter apelado à compreensão dos militares para que a deixassem acalmar a filha.
Em resposta, os militares detiveram José Patrocínio e levaram-no para o interior da unidade. Ao reivindicar contra a detenção do amigo, quatro militares começaram a insultar Maria Alexandra, proferindo coisas como “branca de merda”, “sua branca, agora é que vais levar, pensas que estás aonde?”.
Também Maria Alexandra foi arrastada para o interior da unidade militar, segundo conta, sendo vergastada por todo o corpo com um chicote, enquanto a filha assistia, horrorizada e aos gritos, à detenção e ao espancamento da mãe. Os militares deixaram a criança na viatura, que se mantinha com o motor a trabalhar.
Enquanto isso, a academia telefonou à Polícia Nacional, para informar sobre a detenção do “barbudo” que havia “insultado o governo”, conforme depoimento de José Patrocínio ao Maka Angola. José Patrocínio relata ainda que os agentes policiais, que o conhecem muito bem no seu papel de activista, se entusiasmaram com o ambiente propício para lhe dar uma sova ali mesmo. “O comandante da 1.ª Esquadra, Bernabé, defendeu-me, e explicou aos militares que não encontrava razões para justificar a minha detenção”, conta. Mais tarde, este mesmo comandante ofereceu boleia a José Patrocínio até à porta da sua residência.
Entretanto, dentro da academia, Maria Alexandra reagiu aos espancamentos dos seus captores. Mordeu no braço de um dos soldados que a segurava, deu um pontapé nos órgãos genitais do segundo, pulou o muro relativamente baixo da unidade e foi acalmar a filha. Refere ter buzinado a pedir socorro, sem que alguém tivesse aparecido a acudi-la.
De seguida, levou a filha para casa e regressou ao local para identificar os soldados que a haviam espancado, com o objectivo de apresentar queixa. Inconformada com a recusa dos militares em lhe prestarem qualquer informação, Maria Alexandra armou-se com o seu iPhone e tentou fotografar os visados. Os militares ripostaram, apontando-lhe as armas, “com ameaças de morte” e confiscando-lhe o telemóvel, que continua em posse do comando da referida academia.
A 28 de Dezembro, Maria Alexandra apresentou queixa junto da Direcção Provincial de Investigação Criminal. Persistente, obteve uma audiência com o procurador militar da Base Naval Sul, José Manuel, a quem endereçou outra queixa.
Por sua vez, a Academia Militar do Exército informou-a verbalmente do processo em curso contra si, por “invasão da unidade militar”. Maria Alexandra e José Patrocínio esclarecem, no entanto, que em momento algum a unidade exibiu qualquer documento referente à queixa.
A mulher decidiu apresentar uma queixa junto da polícia militar. Antes disso, tentara o mesmo junto dos responsáveis do quartel, mas o oficial de diligência, que ostenta a patente de sargento, não só se recusou a ser identificado, como também não se dignou a registar a ocorrência, numa situação de cumplicidade e de protecção aos militares agressores.
A referida cidadã manifesta a sua indignação pelo que considera ser a tentativa dos militares de “passaram de agressores a vítimas”.
“Eles pensam que desta forma me intimidarão. Antes pelo contrário, eu exijo apenas justiça”, afirma a interlocutora. Maria Alexandra de Vitória Pereira aproveita a ocasião e apela às chefias militares para que invistam na educação cívica dos soldados, na aprendizagem do respeito pelos direitos dos cidadãos e no incentivo a que ajam com espírito de paz e não como se “o país ainda estivesse em guerra”.
Maka Angola tem tentado, sem sucesso, contactar a assessoria de imprensa da Academia Militar do Exército, que é comandada pelo tenente-general António José de Sousa Queirós.

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