terça-feira, 24 de setembro de 2013

Dirigente do MPLA ameaça eliminar “fisicamente” cidadãos que exibirem insígnias da UNITA




Ndalatando – O secretariado provincial da UNITA do Kwanza Norte, sob auspício do seu responsável máximo, Gabriel Venâncio Barros, remeteu na secretaria-geral do governo provincial local um dossier com o título “INFORMAÇÃO” datado de 15 de Agosto do ano em curso, que relata novos factos credíveis de exclusão social e intolerância política protagonizados por presumíveis militantes do MPLA contra seus compatriotas afectos ao partido que dirige naquela região do nosso país.

Fonte: Club-k.net

Os alegados indícios têm estado a acontecer nalgumas áreas daquele espaço geográfico angolano sob jurisdição de Henrique André Júnior.

De acordo com o documento que este portal teve acesso, o chefe do executivo do Kwanza Norte, Henrique Júnior, recebeu tal diploma há já um mês atrás, e engavetou no seu arquivo morto porque até ao momento “nem água vem nem água vai”.

Esta referida posição inquieta a direcção do “Galo Negro” naquela província ao norte do rio Kwanza. Casos como exclusão social e intolerância política, bem como instrumentalização das autoridades tradicionais, como sendo activistas políticos do partido no poder em detrimento dos militantes afectos ao galo negro, destacados nas circunscrições do município de Ambaca província do Kwanza Norte e não só.

“A democracia e a convivência na diferença correm vários riscos a julgar pelos comportamentos menos dignos e antidemocrático que muitos compatriotas do MPLA têm vindo a demonstrar no exercício das suas nobres funções pelas quais estão investidos tanto no aparelho do Estado bem como na área meramente política”, deplorou o político.

Por exemplo, lê-se num dos parágrafos da narrativa de denúncias, que recentemente, o 1º secretário comunal do MPLA do Lwinga, município de Ambaca, Zeferino Ilídio Machado, forjou um encontro com todas entidades do poder tradicional local dentre os quais regedores, sobas e sobetas com intuito de baixar ordens aos mesmos no sentido de proibir a população daquela região a não aderir os ideais políticos do partido fundado por Jonas Malheiro Savimbi em Muangai, província do Moxico.

Zeferino Ilídio Machado deixou claro que quem insistir, ou teimar, exibir material de propaganda dos “maninhos” será fisicamente eliminado, sendo estes anciões bons conhecedores da matéria tradicional da cultura bantu.

Nesta senda foram intimidados os populares que teimosamente exibiam propaganda do “Galo Negro” e imediatamente foram obrigados a fazer desaparecer naquele seio rural todas as bandeiras e outras insígnias com cores da UNITA, colocadas e erguidas nos comités pilotos nas aldeias da circunscrição.

Para se pôr fim a estes episódios antidemocráticos nas zonas em referência, os responsáveis locais do partido lesado (neste caso a UNITA) moveram uma queixa-crime contra os membros do “M” junto a unidade da polícia na comuna para se proceder as investigações para se apurar as veracidades dos factos. Mas, infelizmente, não surtiu efeitos.

Razão pelo qual, os partidários de Isaías Samakuva destacados naquela parcela do planalto de Camabatela, acusam os homens da farda azul de alegada falta de vontade na execução da instrução preparatória do processo que eles intentaram contra alguns militantes fanáticos do MPLA.

No entanto, o secretariado provincial da UNITA exorta as autoridades governamentais e politicas, mormente o MPLA, no sentido de inculcar na mente dos seus militantes o espírito de patriotismo, convivência social, política e religiosa na base da diferença de convicções.

Importa referir que esta é a segunda vez (em menos de seis meses) que a UNITA nesta província endereça uma carta do género para Henrique André Júnior, que também acumula o cargo de secretário provincial do MPLA.

De lembrar que a primeira missiva deu entrada no seu gabinete sito na rua das Palmeira, centro da cidade de Ndalatando, no dia 11 de Março deste ano, para informar-lhe de muitas situações aberrantes que tem sido perpetrado por alguns dos seus colaboradores, comprometendo a democracia e violando assim a constituição da República de Angola que directa ou indirectamente tem manchado o bom nome de um partido que governa um país há 38 anos.

Entretanto, este portal tentou variadíssimas vezes contactar por via telefónica o governador visado mas sem sucesso.

AO
GOVERNO PROVINCIAL DO       
KWANZA-NORTE

N D A L A T A N DO

C.C: DIRECÇÃO DO PARTIDO
                  LUANDA

ASSUNTO: INFORMAÇÃO/ Nº 002/SCPPKN/013

Levamos ao conhecimento do Governo Provincial de alguns factos que ocorrem neste espaço geográfico por vossa jurisdição mais concretamente no Município de Ambaca na comuna do Lwinga. No estrito respeito da Constituição, sendo ela a Carta reguladora de toda a acção governativa e de outras normas complementares no Estado Democrático e de Direito. O Secretariado do Partido UNITA serve-se da presente para aferir o que abaixo descrevemos:

No acto de investidura de Sua Excelência Senhor Presidente da República e Chefe do Executivo Angolano, tivemos a amabilidade de ouvir em palavras textuais o compromisso de honra em governar para todos os angolanos de Kabinda ao Kunene, sem exclusão de índole política, económico e social, etc.  esta posição consideramo-la como histórica e universal, pois que dela a UNITA como Partido que congrega no seu seio milhares de autóctones, sendo histórica e partícipe na luta de libertação do país do jugo colonial e na democratização da pátria-mãe, esperava que estas palavras servissem de catalizadora para que desta vez a acção do Governo incedisse para todos os angolanos na pátria do seu nascimento e que acabasse com a exclusão galopante praticada por determinados agentes do Estado na sua acção governativa.

A Democracia e a convivência na diferença correm vários riscos a julgar pelos comportamentos menos digno e antidemocrático que muitos compatriotas têm vindo a demonstrar no exercício das suas nobres funções pelas quais estão investidos tanto no aparelho do Estado bem como na área meramente política

Para consubstanciar o que acima evocamos, temos a informar que no pretérito dia 07 de Julho deste ano, o Senhor Zeferino Ilídio Machado nas vestes de 1º Secretário comunal do MPLA do Lwinga Município de Ambaca reuniu com todas entidades do poder tradicional dos quais Regedores e Sobas respectivamente. O objectivo da referida reunião visava analisar com precisão como o povo daquela região tem vindo aderir a causa e a política da UNITA, bem como o crescimento que se regista.

Na ocasião o referido 1º Secretario, instou os presentes a reflectirem o porque da referida aderência do povo em massa ao partido UNITA e ousou orientar as dignas autoridades sendo estas conhecedoras da matéria tradicional, no sentido de fazerem para que se possa eliminar fisicamente todo popular que teimar a exibir material de propaganda da UNITA bem como o desaparecimento de todas as bandeiras colocadas ou seja erguidas nos comités locais nas aldeias.

Na referida reunião o digníssimo regedor do sector do Kahima disponibilizou-se e convidara os seus homólogos aqueles que não possuem feitiço no sentido de lhes serem atribuído o mesmo, segundo ele, era urgente e imperioso a eliminação de todos quando teimosamente continuarem nas fileiras da UNITA.

Na materialização desta orientação, o Senhor Albano Miguel Nzangi, soba da Aldeia Senda Nzagi, pessoalmente instou o Senhor Secretario Municipal da JURA de Ambaca e os seus membros do Comité local na qual informou-os que não queria ver erguido o símbolo da UNITA na sua respectiva aldeia, segundo ele a mesmo pertence ao MPLA.

Assim sendo, no dia 19 de Julho do ano em curso, a bandeira desaparece e a acção é protagonizada pelo próprio soba, defensor do partido no poder antidemocrático.

Por formas a se pôr cobro a esta situação antidemocrática naquela região o Senhor Secretario comunal do Partido UNITA foi assim como o Secretario Municipal da JURA moveram uma queixa junto das autoridades policiais da comuna sendo estas apartidárias nos Estados democráticos e de direito, estes simplesmente ignoraram proceder as investigações para se apurar os factos a fim de pôr cobro às constantes violações estipulados na constituição da República de Angola, onde vem plasmado e consagrado a liberdade de reunião e de escolha por parte dos cidadãos a confissão religiosa e Partido Politico da sua convivência, etc.

Portanto, mais uma vez, o Secretariado do Comité Provincial do Partido do Kwanza Norte, exorta as autoridades governamentais e politicas, mormente o MPLA no sentido de deixar de instrumentalizar os sobas, porque no entender da UNITA, o papel dos mesmos não é de activismo politico a favor do regime como no passado colonial onde muitos destes eram os autênticos servidores do opressor e mandavam os seus irmãos nas aldeias para a PIDE-DGS com calunias ou quando eram contratados pelos guerrilheiros aqueles que libertaram esta Pátria do jugo colonial

Hoje a fase é outra, ninguém poderá travar a marcha imparável rumo ao pleno exercício democrático em pleno século XXI sob pena de ser ultrapassado pelo tempo e pela história.

Sem outro assunto de momento, queiram aceitar os nossos renovados votos e ensejo de bom trabalho na condução dos destinos dos autóctones desta província l.

SECRETARIADO DO COMITÉ PROVINCIAL DO PARTIDO NO KWANZA-NORTE, EM NDALATANDU, AOS 15 DE AGOSTO DE 2013.

O SECRETÁRIO PROVINCIAL
GABRIEL VENÂNCIO BARROS

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