Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Repórter do FOLHA8 interrogado na DNIC




Luanda – O repórter do F8, Antunes Zongo, está a prestar declarações na Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), sobre o processo nº 31/13-02, onde é acusado de injúria e difamação à cidadã Belinha Quimbuambua, médica do Hospital Principal Militar em Luanda.

Fonte: Folha8
Club-k.net

A acusação surgiu em resposta a uma matéria redigida por este e publicada no F8, na página 41, a 24 de Novembro de 2012, intitulada “Cidadã ameaça matar rival”. Na notícia supra, o repórter Antunes Zongo cumpriu com as regras da ética e deontologia jornalística, pois, colheu a informação segunda a qual, “a cidadã Belinha Quimbuambua teria ameaçado matar a rival, após ter falhado a primeira tentativa”.

Nesse sentido, contactou a acusada via telemóvel, mas foi atendido por um jovem que se identificou como sendo seu filho e alegou que a mãe estava indisponível. Presume-se que tal orientação terá sido dada pela mãe porque se “ouviu a voz de uma mulher a direccionar o jovem neste sentido”, explica o nosso repórter.

Mas face à resposta do rapaz, o F8 apelou ao mesmo que dissesse à mãe para nos contactar. Tal não aconteceu. Na matéria, demos oportunidade à cidadã Belinha Quimbuambua no sentido de nos contactar para contar a “sua” versão da história porque, se calhar – admitimos - tratava-se de uma cabala contra a “sua” pessoa. A mesma preferiu esconder-se mesmo tendo os nossos contactos e optou por fazer queixa à DNIC contra o repórter.

Importa informar que a queixa não nos preocupa, porque é normal que no uso do seu direito, a cidadã Belinha Quimbuambua faça queixas. O que, de facto, nos preocupa é a maneira como está a decorrer o processo, instruído pelo Investigador Caetano Mufuma, do Departamento de Crimes Contra Pessoas.

A HISTÓRIA DO PROCESSO

Antunes Zongo foi notificado pela primeira vez no passado dia 22 de Abril de 2013. Sem saber do que se tratava deslocou-se à DNIC, onde foi informado da acusação que pesa sobre ele. Foi interrogado durante mais de duas horas e sem mostrar as eventuais provas, o instrutor do processo, Caetano Mufuma, explica Antunes Zongo, “acusou-me de ter cometido injúria e difamação porque segundo o mesmo, a agressão e as ameaças de morte que noticiei não haviam ocorrido, e de forma suave coagiu-me a revelar quem era a minha fonte, mesmo sabendo que tal atitude viola a Lei de Imprensa da República de Angola”. O nosso repórter voltou a ser interrogado no dia 4 de Setembro do corrente.

Para espanto do colectivo de escribas do F8, o repórter está agora a ser acusado de furto porque, pasme-se, a fotografia publicada na referida notícia foi supostamente roubada da residência de Belinha Quimbuambua, de onde, alegadamente, terão desaparecido vários meios, dentre os quais a fotografia.

Mas o caricato é a lesada, não ter dado queixa em nenhuma esquadra policial do furto, tão pouco nos autos consta tal, pois apenas no último interrogatório a parcialidade descarada do investigador verteu sobre tal. É de credibilizar, cada um faça as devidas ilações.

No final do intenso interrogatório, Antunes Zongo recebeu da mão do investigador Mufuma os autos para confirmar se estavam conforme as “suas” alegações e assiná-la. O nosso repórter notou haver alguns verbos musculados e pediu que o investigador os alterasse. O instrutor corrigiu alguns e rejeitou rectificar outros.

Portanto, “a atitude do doutor Caetano Mufuma está a dar-me a sensação de que ele está a ser parcial no processo, não sei ainda a troco de quê! Espero que a próxima vez que for notificado, que será em breve segundo as palavras do instrutor,  as questões sejam claras e sem o espírito tendencioso que me retiram a liberdade. Pois, sendo pai e marido, a minha família precisa de mim em liberdade para continuar a educá-la, sustentá-la e a defendê-la das dificuldades contínuas da vida”, desabafou o jornalista.

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