Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Luanda. Menor Detido por Difamação ao Presidente da República


por Maka Angola

Agentes da Polícia Nacional detiveram esta tarde no município de Viana, em Luanda, o activista Manuel Civonda Baptista Nito Alves, de 17 anos, por alegada difamação ao presidente da República, José Eduardo dos Santos.

“Dirigimo-nos à 45a Esquadra da Polícia Nacional, no Bairro Capalanca, e a polícia informou-nos que o meu filho foi detido quando ia buscar camisolas para a manifestação que o Movimento Revolucionário marcou para o dia 19 de Setembro”, disse o pai do menor, Fernando Baptista, ao Maka Angola.

Segundo o pai de Nito Alves, “os oficiais da polícia disseram-nos que ele está detido por ter cometido o crime de difamação contra o presidente da República. Pediram-nos para irmos amanhã à Direcção Municipal de Investigação Criminal para sabermos o número do processo dele”.

Maka Angola soube junto de outros activistas de Viana que a detenção do jovem terá sido motivada pela produção de 20 camisolas que foram impressas com os dizeres “José Eduardo fora! Ditador nojento”. No verso das camisolas foram impressas as inscrições “Povo angolano, quando a guerra é necessária e urgente”. Esta última expressão é o título de um artigo e do livro do jornalista Domingos da Cruz, publicados em 2009. O jornalista foi absolvido a 6 de Setembro pelo Tribunal Provincial de Luanda da acusação de ter cometido o crime de incitação à desobediência colectiva formulada pela Procuradoria-Geral da República. O juiz confirmou a inexistência de tal crime no ordenamento jurídico angolano.

Fernando Baptista manifestou-se agastado com as actividades extra-escolares do filho. “Tem de haver alguém desse Movimento Revolucionário para defender o meu filho. Eu já lhe disse para não se envolver nessas actividades, para não arranjar problemas”, disse.

A maior preocupação de Fernando Baptista é que o seu filho perca o ano lectivo, estando actualmente a frequenter a 11a classe.

Por sua vez, Adália Chivongue, de 40 anos, mãe de Nito Alves, foi peremptória em afirmar, ao Maka Angola que “o meu filho não cometeu crime nenhum, nem um bocado”.

“O problema, nesse país, é que quem fala a verdade é preso ou morto. Então o presidente manda prender o meu filho por causa de camisolas? É por isso que lhe podem matar?”, questionou a mãe.

“Se acontecer alguma coisa ao meu filho, eu serei revolucionária”, desafiou Adália Civongue.

A detenção ocorreu um dia antes do início, em Luanda, do Fórum Nacional da Juventude, uma iniciativa do presidente José Eduardo dos Santos de diálogo com a juventude.

Em Junho passado, o presidente José Eduardo dos Santos apodou os jovens que contestam o seu reinado de 34 anos de poder como um grupo de cerca de 300 frustrados. “São jovens com certas frustrações, que não tiveram sucesso durante a sua vida escolar ou académica e não conseguiram uma boa inserção no mundo do emprego”, disse o presidente na sua entrevista ao canal de televisão português SIC.

A onda de reacções negativas ao seu pronunciamento levou-o a apadrinhar o referido fórum como forma de melhorar a sua imagem junto da juventude.



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