Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Adiar grandes obras em Angola dá folga orçamental mas prejudica país





A descida do preço do petróleo vai complicar o orçamento de Angola, mas o adiamento de grandes obras públicas só agrava os problemas do país, que precisa desesperadamente de infraestruturas, considera a Economist Intelligence Unit.
"É provável que alguns dos projetos de infraestruturas sejam abrandados ou mesmo suspensos, mas isto só vai dar uma pequena folga porque Angola precisa desesperadamente de investir em geração de energia e redes de distribuição de eletricidade, e não o fazer vai atrasar o crescimento do setor não petrolífero, o que é crucial dado que as receitas do setor dos hidrocarbonetos serão muito fracas", escrevem os analistas da unidade de análise da revista britânica The Economist.
Na nota aos investidores, a que a Lusa teve acesso, os analistas acrescentam que outro dos problemas que afetam atualmente o país tem a ver com a falta de moeda estrangeira, nomeadamente dólares, cujo efeito "não se fica apenas pelo impacto na moeda nacional".
A EIU argumenta que a falta de dólares está a fazer com que "algumas empresas estrangeiras tenham já afirmado que não estão a receber o dinheiro devido por causa de uma decisão governamental deliberada relativa à suspensão de pagamentos e proteção das reservas de moeda estrangeira".
Isto, concluem os analistas da EIU, "vai piorar a já de si má reputação de Angola como destino de negócios, e pode levar a atrasos significativos, que com o passar do tempo vão ser mais difíceis e mais caros de pagar".
Nos últimos dias, têm surgido várias notícias relativamente a fornecedores estrangeiros que não estão a receber as verbas pela entrega das mercadorias, porque o Banco Nacional de Angola não terá ainda dado a autorização para a libertação de dólares para que os bancos comerciais possam fazer as transferências.
O clima económico de Angola degradou-se a partir do segundo semestre do ano, quando a descida abrupta do preço do petróleo fez as receitas fiscais começarem a cair significativamente, obrigando o Governo a rever o Orçamento e a reformular a política económica tendo em conta o desequilíbrio criado.
De acordo com informação do Ministério das Finanças, a revisão do OGE para este ano deverá estar concluída até ao final deste mês e vai implicar menos 14 mil milhões de dólares (12,3 mil milhões de euros) em receitas petrolíferas, com a previsão do barril de crude a cair para 40 dólares.
Em causa está a forte quebra na cotação internacional do barril de petróleo, que se situa em torno dos 50 dólares, quando no OGE de 2014 o Estado angolano previa a exportação a 98 dólares.
No orçamento para 2015 o Governo liderado por José Eduardo dos Santos fixou esse valor - necessário para estimar as receitas fiscais com a venda do crude - em 81 dólares por barril, valor que agora descerá, na revisão, para 40 dólares.
Na versão ainda em vigor do OGE, o Governo angolano previa arrecadar mais de 21,5 mil milhões de euros de euros com impostos sobre o petróleo (a 81 dólares) em 2015, o que já representava uma quebra face ao ano anterior.
O orçamento de 2014 previa a arrecadação de 3,048 biliões de kwanzas (25,7 mil milhões de euros) em impostos sobre o petróleo.
O petróleo rendeu a Angola, em 2013, cerca de 76% das receitas fiscais, com cada barril a ser vendido, para exportação, a mais de 100 dólares.
Na versão original, o OGE 2015 previa um défice de 7,6% do Produto Interno Bruto.
LUSA
ANGOLA24HORAS
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