Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Soldados e Agentes Atacam e Insultam Jornalista Manuel José





Maka Angola

O Bloco Democrático (BD) condenou hoje, em Luanda, a agressão perpetrada por soldados das Forças Armadas Angolanas (FAA) e agentes da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC) contra o correspondente da Voz da América, Manuel José, na passada segunda-feira.
Segundo explicações do jornalista a este portal, por volta das 11h00, os soldados, armados com Kalashnikovs (AK’s), cercaram-no enquanto se encontrava a carregar o saldo do seu telemóvel na via pública e aguardava pelo táxi, na zona do Zango 0, Viana.
Minutos antes, Manuel José comunicara com a redacção da Voz da América sobre a matéria que estava a escrever, a partir da Escola do II Ciclo Vil 491, onde dá aulas de Português.
Saiu da escola, foi ao banco levantar dinheiro, comprou os cartões de carregamento de telefone e tencionava dar seguimento à recolha de informação sobre a reunião do Conselho da República. Desde as eleições de 2012 que o presidente José Eduardo dos Santos não convocava este órgão, e só o fez para associar os dirigentes da oposição à sua gestão da crise económica que se adensa no país.
“’Mãos ao ar!’, ordenaram-me os soldados que apontavam as armas contra mim. Os dois indivíduos da investigação criminal, vestidos à civil, tinham as suas pistolas prontas a disparar. Fui para o chão. Um soldado pisou-me nas costas e algemaram-me”, contou o jornalista.
Manuel José disse ter pedido aos soldados que o identificassem, revelando-lhes ser jornalista. Implorou que verificassem os documentos que trazia consigo no bolso. “Um soldado pisoteou-me outra vez e ordenou-me que calasse a boca.”
Os soldados trataram então de levantar Manuel José, que mede 1,85 metros e pesa 115 quilos. “Chamaram-me de gordo e um dos soldados insistiu que tinha de ser eu a levantar-me. E disse-me ‘tu não sabes gerir as tuas banhas, seu gordo?’” O detido cooperou e foi transportado para a 47ª Esquadra, do Zango I, onde foi interrogado durante uma hora, explicou.
Terminado o interrogatório, um dos investigadores devolveu a mochila (com computador e documentos) a Manuel José, pediu-lhe desculpas e informou-o de que tinha sido confundido com um delinquente. O jornalista explicou que o agente não lhe devolveu a agenda, onde tinha os seus apontamentos.
Manuel José acabou por não enviar o artigo que preparava sobre o Conselho da República.
O BD foi a única instituição que se pronunciou contra a agressão, apelando ao “Sr. Presidente da República, já que tudo se faz ‘graças a sua excelência’, que dê instruções a quem tem responsabilidades directas de zelar pela boa conduta das forças de defesa e segurança angolanas, que, em princípio, deviam ser republicanas, no sentido de ‘descriminalizar’ a profissão de jornalistas e/ou o ‘não alinhamento’ com os caprichos e as birras do regime”.
Por sua vez, “um indivíduo do gabinete do comandante provincial da Polícia Nacional em Luanda, comissário Sita José, ligou-me a pedir desculpas e disse que vai tratar do assunto. Falou em nome do comandante, mas nem sequer me disse o seu nome ou a sua função”, revelou a vítima.
Maka Angola confirmou essa informação junto de fonte policial afecta ao Comando Provincial de Luanda.
“Estamos a tratar do caso. Orientámos a abertura de uma participação. Ao comprovarmos a inquietação do cidadão Manuel José a chefia de Luanda tomará as medidas necessárias”, assegurou a fonte.
A mesma fonte, que preferiu falar sob anonimato, explicou também que Manuel José “não foi interpelado na qualidade de jornalista” porque os captores não o identificaram no local. “Só na esquadra é que ele foi identificado. Logo, não foi nada contra um jornalista”. Mais referiu sobre a possibilidade de ter havido “algum excesso por parte dos supostos agentes”.

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