Em Angola julgam-se presos políticos acusados de nenhum crime. Dizem que é um regime democrático que está em pleno gozo das suas funções. A corrupção está no pódio como grande vencedora. A miséria e a fome também. As potências democráticas fecham os olhos e apontam que assim é que é bom, que assim é que se faz a estabilidade em África. Eis a receita do terrorismo do qual a Europa não se consegue desenvencilhar. Quem apoia a corrupção e as suas ditaduras, no fundo também é terrorista sem o saber.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Polícia Espanca Manifestantes, Um Ferido Grave por Maka Angola - 28 de Maio, 2013


Agentes da Policia Nacional dispersaram à bastonada os manifestantes que participavam na vigília convocada para esta tarde, em Luanda, pelo Movimento Revolucionário. Um dos manifestantes, Raúl Lindo “Mandela”, de 27 anos, foi brutalmente espancado e terá sido depois abandonado, inanimado, nas imediações da Shoprite.
“Foi o Lucas Pedro quem deu conta do Mandela, desmaiado, porque havia um grupo de pessoas que o cercava”, explicou Domingos Cipriano “Aristocrata”, um dos manifestantes que teve a missão de prestar assistência aos mais afectados pela violência policial.
“Quando o Mandela recuperou os sentidos, já no nosso carro, ele explicou-nos que, na Sexta Esquadra da Polícia, junto à Cidadela, os agentes despiram-no e o torturaram com uma barra de ferro, depois vestiram-no outra vez e foram deixá-lo junto à Shoprite, desmaiado”, disse o Aristocrata.
Segundo o Aristocrata, o Mandela deu entrada na Clínica do Prenda à meia-noite sem mobilidade nos membros superiores e inferiores.
Por sua vez, Domingos Cipriano “Pisca” informou o Maka Angola que, durante três horas, transportou o Mandela a quatro clínicas diferentes, no Grafanil, Viana, Golf e Luanda-Sul sem sucesso. “Recusaram-se a tratá-lo”, disse.
Pisca transmitiu também o testemunho de Mandela, segundo a qual este reconhece muito bem o agente policial que o torturou com a barra de ferro na Sexta Esquadra.
O também manifestante reiterou, no entanto, a resistência dos agentes policiais enviados ao largo em espancarem os manifestantes. “Os polícias normais estavam a negar a tortura. Os próprios comandantes é que nos estavam a bater com cassetetes”, referiu o Pisca.
A vigília, inicialmente, juntou cerca de 30 manifestantes no Largo da Independência. Ao cair da tarde, agentes da Polícia Nacional e membros da Polícia de Intervenção Rápida cercaram o local, com o auxílio da brigada montada e canina, e atacaram os manifestantes, forçando-os a abandonar o local. A Polícia Militar e agentes dos Serviços de Informação e Segurança de Estado, SINSE, também enviaram consideráveis forças ao local.
A polícia deteve cerca de 10 manifestantes no local, e libertou-os mais tarde. Os agentes levaram três dos detidos para um giro, numa viatura policial, por algumas zonas do bairro do Cazenga, tendo sido depois libertados no centro da cidade. Nito Alves e Alexandre Dias dos Santos “Libertador”, veteranos em manifestações, foram libertados depois de terem sido levados para a Terceira Esquadra. Horas mais tarde a polícia libertou também Emiliano Catumbela, outro detido que passou pelo “giro do Cazenga”.
Adolfo Campos, Nicola, Queirós Thiluvia e Albano Bingo também sofreram breves detenções.
Maka Angola anotou também relatos de que outros manifestantes terão sido espancados por membros das forças policiais.
Segundo declarações de Adolfo Campos à rádio online AngoDiáspora, os manifestantes concentraram-se depois no Primeiro de Maio onde foram novamente cercados por um forte dispositivo militar.
A vigília pacifica de hoje foi convocada para assinalar o desaparecimento de Alves Kamulingue e Isaías Cassule e as milhares de vítimas dos massacres de 27 de Maio de 1977.
Actualização: A Polícia Nacional emitiu um comunicado de imprensa em que justificou a violência, da sua parte, indicando que “os visados jovens arremessaram pedras e outros objectos contra os efectivos da polícia, tendo sido necessário, recolhê-los em viaturas para dispersá-los em outros locais”.
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